22.6.10

novo ciclo, mudança.
começo aos poucos a despedir-me dos sítios q deixo, foi assim no chcf, na trofa e agora no hospital.
são pequenos rituais a que me afeiçoou-o
a melancolia pelo fim é muita, e começo já a antecipar as perdas. das pessoas que passaram por mim, daqueles que consegui ajudar e dos outros, por quem ainda gostaria de fazer muito.
instala-se a nostalgia e silenciosamente vou dizendo adeus e guardando o que de bom fica.
as boleias matinais, as brincadeiras com os profissionais, o almoço semanal invariavelmente no museu, por vezes no zé bota.
cruzar-me com o meu pai, ouvir os seus espirros inconfundíveis ao longe.
conversar com os doentes.
e saber que me vai custar.
sinto tantas saudades dos meninos da trofa, da minha inês, que tantas vezes povoa os meus sonhos.
sei que sempre que se fecha um ciclo outro se inicia, carregado de simbolismo e significado, custa-me sempre tanto o fim.
ainda falta uma semana e já sinto uma torrente cá dentro.

“tal como no amor, também esta experiência se foi construindo ao longo de fases mais ou menos apaixonadas, de momentos mais penosos, de investimentos, de alegrias e conquistas, de desilusões e frustrações, tendo todo este cortejo de emoções culminado numa experiência mais que positiva, onde o optimismo, a perseverança e a motivação conseguiram prevalecer, transformando-me e impulsionando-me para novos sonhos…"

in the summer time when the weather is high

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ontem chegou o verão e eu fui comemorá-lo =)

18.6.10

comovida com estas palavras, que o meu pai me deu no dia em saíram no público e que guardo com carinho desde então:

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver."

[saramago]

15.6.10

book wish

andava há meses atrás do al berto, mais uma editora falida e não havia meio de o encontrar, já tinha chegado a encomendar online, mas recebi email a dizer que estava esgotado. como diz o dito, quem procura sempre alcança e por fim consegui.

e o livro começa assim:

"um dia li num livro: viajar cura a melancolia.
creio que, na altura, acreditei no que lia. estava doente, tinha quinze anos. não me lembro da doença que me levara à cama, recordo apenas a impressão que me causara, então, o que acabara de ler.
os anos passaram – como se apagam as estrelas cadentes – e, ainda hoje, não sei se viajar cura a melancolia. no entanto, persiste em mim aquela estranha impressão de que lera uma predestinação.
a verdade é que desde os quinze anos nunca mais parei de viajar. atravessei cidades inóspitas, perdi-me entre mares e desertos, mudei de casa quarenta e quatro vezes e conheci corpos que deambulavam pela vasta noite… avancei sempre, sem destino certo.
tudo começou a seguir àquela doença.
era ainda noite fechada. levantei-me e parti. fui em direcção ao mar. segui a rebentação das ondas, apanhei conchas, contornei falésias; afastei-me de casa o mais que pude. vi a manhã erguer-se, branca, e envolver uma ilha; vi crepúsculos e noites sobre um rio, amei a existência.
dormia onde calhava; no meio das dunas, enroscado no tojo, como um animal; dormia num pinhal ou onde me dessem abrigo, em celeiros, garagens abandonadas, uma cama…
e quando regressei, regressei com a ânsia do eterno viajante dentro de mim.
hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida. caminha, assim, com a leveza de quem abandonou tudo. deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade.
a pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem.
o olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confunde com nenhum outro.
viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica. afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida – entre o homem e a terra. "

3.6.10

rede de apoio precisa-se, não sei que raio de nuvem se abateu sobre as meninas, mas é preciso bufa-la para bem longe, lá fomos nós ver a estreia e muito nos rimos



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23.5.10

peter pan =)

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já fomos colados, colados, por alguma razão me chamavam a tua advogada de defesa. a caça ao tesouro, os malteseres, a belga gigante, os pus com isqueiro, os contos todos trocados em que os três porquinhos estavam com a branca de neve no trenó, as boleias na boss. és transparente. gosto muito de ti

20.5.10

shouting wishes

1 mês de desbloqueio emocional

sou ainda eu cá dentro não há varinha de condão, mas sinto que foi um ponto sem retorno

de repente uma liberdade e segurança que não me conhecia. tanto tempo com medo, na sombra, a sentir-me menos. agora um peso que sai de cima como se me aparecessem todos os caminhos, sem estar condicionada. não quer dizer que tudo seja fácil e feliz, ainda no domingo vieram as nuvens e fiquei só, como se estivesse num deserto

a diferença é que deixei de ter pena de mim, aceitação, integração, sinto-me una e única

nos últimos tempos tenho perdido bastante tempo a pensar. em tudo e em nada. tenho perdido tempo para me perder em mim, imaginar histórias e compreender enredos. num caminho de luz e trevas revi a minha vida presente. vivi e deixei a vida viver-se por mim. estive sem alma presente mas também estive por inteiro. sei o que me fez andar na escuridão e compreendo agora que me faziam falta esses buracos negros, na mesma medida que preciso daqueles que me chegam agora cheios de luz, visível a qualquer olho mais distraído.

foi uma conjugação de factores mas a alavanca foi a tua provocação leitura sistémica que tornou o abalo e a desestruturação em insight fizeste-me entrar no processo implicar-me nas coisas “não te quero ver sofrer, mas já chega de águas paradas, é preciso começar a viver”

é curioso como o ódio e a irritação em relação ao passado se foram e deram lugar a alguma indiferença

é como se houvesse uma nova luz sobre as coisas e apetece-me espalhar ao mundo a mensagem

estou mais solta parece que me assumi e é engraçado que várias pessoas tem comentado que estou diferente fisicamente

o mais importante é que não desisti, não quis desistir de mim. sinto pela primeira vez a minha identidade forte e auto-confiante, faz-me compreender que tenho em mim todos os sonhos, e com estes, todas as capacidades.

primeiro é a grande explosão onde se liberta o maior, mas não quer dizer o mais importante ou intenso pequenas grandes réplicas se seguem

a constante agonia com o sentido da vida, o porquê, para onde vamos e afinal tão simples como dizia o torga:

- a vida não tem sentido...

- ela, em si, não... - respondi. - mas tem o sentido que lhe damos. tem a nossa riqueza, o nosso entusiasmo, o nosso orgulho... ou a nossa covardia.

(miguel torga - diário XII)

perdi o medo de mim, um dia descobri que sou eu capaz de transformar os nós em laços, desatá-los. sinto-me a viver bolinhas de sabão, transformar a crise e a adversidade em crescimento

10.5.10

timing

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7.5.10

moledo

cá vos escrevo de moledo do minho 2009 (já a caminho do seu final). a razão desta nossa carta é simples: nós aqui vamos de sorriso em sorriso, e vocês?

hoje, pela manha, a meni acordou com a sua amigdalite já melhorzinha (os remédios do tito já estão a dar resultado). o li saiu da cama logo após acordar e muito beijocar chesta meni. a ínsua e o monte tecla lá estavam, mas desta vez, e como já estamos nas vindimas, embaciados pelos vidros do quarto (o comboio passou mesmo agora – viu a meni ao levantar a cabeça da almofada). os campos de milho ou já estão cortados ou com canas já secas.

e, assim, após amassar a bem rechonchuda bochecha esquerda da meni e tomar o seu banho de imersão no cheiro a madeira de casa, o li disse: “meni, tens aqui a casinha dos pitecos” ao que a meni respondeu: “não te esqueças, primeiro pão de mistura, depois bairrada para ti, depois queijo, depois, só se estiver quentinho, nunca tragas, normal, bicos de pato, e um compal, só se nunca tiver mariazinhas, traz sempre, um dia destes, aqueles sidónios menininhos”.

pela estrada de pedra, a bicicleta do tito abanava MAS o li ouviu os passarinhos de moledo, e o ar, cheiro era de aldeia de litoral com anos 80 bem ali. ao lado, o campo, trigo, e dois més-més que disseram assim ao li: “méééé”.

entretanto em casa a meni começava a ficar feliz: seis passarinhos, um com um colar, vieram sentar-se no parapeito da varanda; repetidas vezes; um a um, diziam à meni: “PIU!” e um vinha até dar um beijinho à meni, mas bateu no vidro da janela e disse “piu, piu, piu, piu”

enquanto a meni se enrolava nos edredons de cheiro único e falava com os passarinhos com fundo no mar, o li pedalou até à meia de leite da camipão e do champô jonhson da clarinha que tão bom cheiro faltava à casa.

quando o li chegou a meni sorriu, a historia dos passarinhos contou e o pequeno almoço na cama tomaram. a fruta no tabuleiro era só para dar cor à paisagem! compal com queijo!

e assim foi o inicio de manhã dos menilis 2009 em moledo. os menilis na cama a ler com vista para o mar, na cama, e, logo, a seguir, mil abracinhos e beijinhos nos menilis!

27.4.10

um dia fazem-me sentir especial na pausa para o café. hoje é o dia!

26.4.10

resillience

by resilience is meant the ability of individuals exposed to a potentially highly disruptive event to maintain both healthy psychological and physical functioning and the capacity for positive emotions.
the emergence of “positive psychology” as an area of research and practice that focuses on human strengths and virtues rather than on weaknesses and pathology. it also supports a basic tenet of positive psychology, namely, that the potential for individuals to handle adversity may be far greater than has previously been recognized.
resilience is that ineffable quality that allows some people to be knocked down by life and come back stronger than ever. rather than letting failure overcome them and drain their resolve, they find a way to rise from the ashes. psychologists have identified some of the factors that make someone resilient, among them a positive attitude, optimism, the ability to regulate emotions, and the ability to see failure as a form of helpful feedback. even after a misfortune, blessed with such an outlook, resilient people are able to change course and soldier on.
the positive capacity of people to cope with stress and catastrophe. it also includes the ability to bounce back to homeostasis after a disruption.


24.4.10

click - be in the process of doing sth; to have started doing something

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23.4.10

quoting (26)

é urgente o amor.
é urgente um barco no mar.

é urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

é urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
é urgente o amor, é urgente
permanecer.




[eugénio de andrade]

20.4.10

breakthrough [an important discovery or event that helps to improve a situation or provide an answer to a problem]

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everything is changing. the heart of our island is pulsing, throbs exposed for all to see, releasing a nature we've not witnessed for aeons. and we're to let our own hearts beat in time, push past the fear, find the love we've forgotten or neglected, welcome the spirits, and dance. this is paradise, and a most beautiful moment to be alive.

8.4.10

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estás com os teus fantasmas e subitamente tornei-me num, mais um.

30.3.10

time goes by

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dois anos.

eu a olhar incrédula assim que entrei no restaurante. apeteceu-me esganar o meu irmão, tanto insistiu para irmos jantar os dois, só que afinal eramos seis. e o lugar vazio lá estava a minha espera, estrategicamente estudado. e ainda que eu não o soubesse passado uma semana seria convidada outra vez.

23.3.10

quoting (25)

apetece por vezes com os dias morrer por um pequeno
instante e deixar os fogos soltos na areia. acrescentar
água à face e perturbar os sentidos em busca da única
luz ou então sentir os movimentos e escrever a uma

amiga. dizer assim como quem fala: que espécie rara
de deus é o teu? a vida é ficar abraçado às dunas
apenas se há dois braços de areia por quem sonhar.

vir então aos poucos contando os mastros do verão
cumprindo o desejo das cartas de mar e assim mesmo
confundir todos os relógios da rota apenas para ter

mais tempo para ficar. o resto é saber o alfabeto de
cor até ao fim para que as palavras vão nascendo
devagar até ser sonho no sono dos dias ou ser sono
dentro de mim



[joão luís barreto guimarães]

21.3.10

empty words

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19.3.10

quoting (24)

apenas preciso de alguém que me sorria e reponha o mesmo disco sempre a tocar e escute comigo o vento nas janelas e sinta a tristeza que têm os gladíolos murchando em cima da mesa




[al berto]

11.3.10

à noite tive direito a caça ao tesouro em busca das 22 cartas

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mermaid wishes