
não choro. não agora.
a mim também me apetecia, ir contigo. enchíamos o depósito e íamos sem destino. seguíamos ao sabor do vento a parávamos quando fosse tempo. contava-te os meus planos, as expectativas e tu, tão doce, ao ouvido me dirias como me imaginavas, daqui a uns anos. não sei como me vês, mas só o facto de pronunciares essa palavra, já traz luz e força. sei que tenho o teu ombro, incondicional, mas não quero que chores mais comigo, como fizeste naquele dia de gomas. alegrar me contigo é, bem sabes, tarefa fácil ou não fosses tu feita de sorrisos, de mimos, de vontade de fazer uma aula de trapézio e trampolim. descobriria que afinal os dias podem ser luminosos e ainda assim escuros, como as duas faces da mesma moeda, a revelar e a ensinar, uma e outra vez, que é mesmo assim a vida, feita de contrastes. a luz acesa pois, enquanto dizemos aos meninos para irem dar uma volta, apenas por um instante. podendo assim exorcizar essa dor, que daria, depois, lugar ao ar fresco.
sublime, esses mergulhos, risos.
caminhamos sim, caminhadas junto às ondas, até onde o rio encontra o sal. caminhamos.