14.6.07
13.6.07
details (2)
catwalk thickening shampoo
cleanse your hair to a fuller look and fuller feel. helps make your hair stronger, resiliant and healthy looking.
self absorbed mega vitamin shampoo
crammed full of Vitamin A , B2, B5 and E, this shampoo hydrates the hair shaft.
moisture maniac shampoo
takes shine & softness over the edge. experience a rich, creamy lather & delicious fragrance. Indulges the craving for brilliant hair!
[eis que depois de todos experimentados, o último é o eleito do momento]
wished starfish
11.6.07
holding her hand every step of the way
queria embalar-te no meu colo por tempo indeterminado até seres pequenina outra vez, atava-te um balão ao pulso e voavas rumo a magia, tudo seria então possível. se pudesse dizia-te que tudo ia ficar bem e protegia-te dos dias tristes e frios. escondia também o tomate, ficava o gelado de morango para comer com o arco-íris. dançávamos com o matt ao som de sorrisos e mergulhos.
queria dizer-te tanta coisa e não disse nada verdadeiramente importante.
não consigo nem imaginar o que passaste e as saudades que sentes.
wished starfish
worship
soubesse eu explicar o fascínio, a magia, justificar o porquê e temo que este se esbateria, podendo mesmo esvair-se.
não sei quando começou, nem qual o motivo. mas tenho uma verdadeira adoração.
foi noticiado hoje que a última temporada enquanto jogador é no Inter de Milão, espero que com muitas vitórias. o meu eterno número 7*
wished starfish
10.6.07
postscript from post scriptum, meaning "after writing" abbreviated P.S.
P.S. sem dúvida que à terceira é de vez e ok já percebi a parte da massagem ao ego.
wished starfish
share and share alike (7)
-a cadeira quente-
para alguns, pode ser um "sofrimento" sentar-se na cadeira "quente", para outros, uma oportunidade.
a primeira vez que tive contacto com esta dinâmica não participei nela activamente. isto é, participei no que toca a falar dos outros, sobre o que fomos conhecendo durante o tempo de convivência, mas num grupo de 16 pessoas estava incluída nas 2 que não se sentaram na cadeira para ouvir o que os outros tinham a dizer de si. tenho uma dificuldade imensa, uma incapacidade de ouvir sobre mim.
da segunda vez foi só alguém mencionar o nome desta técnica para levar um banho de chocolates. (literalmente, não no sentido figurativo)
até que hoje não havia a vertente opcional, habitualmente inerente a todas as intervenções em grupo. ainda assim fiquei para último. surpreendentemente foi mais fácil, talvez pelas características do grupo em questão, bastante mais limitado em tamanho, com uma forte componente de partilha.
talvez por isso, talvez não. nem sei bem.
olhos nos olhos ouvir o que os outros tem para nos dizer, coisas que nunca tínhamos pensado, ideias novas, algumas nem tanto. já foram sendo ditas aqui e ali ao longo dos anos. aceitar tudo isto, saber ouvir, acolher e dar feedback de até que ponto me identifico.. ainda assim
como num brainstorm estas foram as palavras (ainda a digerir, para ir absorvendo e reflectir) que me ficaram:
"sincera, é pão pão queijo queijo, espontânea, intuitiva, observadora, doce, sensível, hipersensível, 'fiel como um cão', tem de ganhar espaço, tem os seus limites protectores, mas quando dá dá tudo e é amiga de verdade. um exemplo na forma como dá e está disponível. sabe distinguir o essencial do acessório, é feliz."
esta foi a última palavra, feliz, tão bom que assim fosse :) tento de facto manter essa máxima em mente e mais aplica-la no dia-a-dia, keep it simple, distinguir o que é verdadeiramente importante, mas como disse tento.
wished starfish
9.6.07
teardrop
falava-se da importância que o toque tem, do quanto é fundamental para as pessoas tantas vezes privadas de tudo o resto, da diferença que pode fazer quando estão rodeadas unicamente de batas brancas longe de um local familiar e perto do fim.. foi então que se passou à parte das massagens, incluindo nos pés.
e nesse instante lembrei-me da massagem divinal que me fazias.
e aconteceram os nossos lábios.
tenho vontade de ti, saudades das mãos fortes e acolhedoras.
das palavras simples, do abraço seguro, era tão fácil chegares até mim.
disse e repito, acho que nunca ninguém me tratou tão bem.
e hoje a saudade apertou, voltou em força, junto com a certeza de que és uma pessoa especial que faz parte de mim
"os seus abraços apertados e o jeitinho que você cuida de mim!"
wished starfish
8.6.07
turns out
bem o que eu me ri com este post.
é que ainda há uns meses comentava com amigas que os meus pais se recusaram a dar-me uma barbie e que foi o fim para conseguir arranjar uma, tive que implorar ao meu padrinho, escusado será dizer que um belo dia cheguei a casa e a cabeça da minha preciosa e única barbie estava roída (desfigurada), facto facilmente explicável pelo meu irmão, pois afinal era quem brincava com ela e com o boogie.
enfim.. adiante, o que eu achei mesmo giro foi descobrir assim de repente que num grupo de 5 amigas, apenas 1 havia tido todas as barbies a que tinha direito. [e eu que me achava caso único :) ]
depois li também aqui, que foi alvo de muitas polémicas, confirmei novamente que o fenómeno não foi nada que se tenha resumido ao meu micro cosmos, mas verdade seja dita as minhas primas tinham todas e era tipo wonderland multiplicavam-se, com direito a ken, filhos, carros e todos os acessórios possíveis e imaginários
wished starfish
7.6.07
6.6.07
fed up with
há pessoas tão básicas, mas tão básicas, que me pergunto se põe os dois únicos habitantes do seu cérebro em funcionamento (a comunicar).
wished starfish
5.6.07
fresh
os primeiros raios à séria, vitamina D a penetrar em doses massivas, como um bem essencial, a dar outra energia, ânimo, força, outra luz sobre as coisas, como se de repente fosse possível colorir tudo de novo, uma e outra vez, agora com mais energia e convicção.
como se cada grão de areia viesse ao nosso encontro com afecto inaugural e o mar fosse uma eterna descoberta, renovada a cada mergulho.
como se cada grão de areia viesse ao nosso encontro com afecto inaugural e o mar fosse uma eterna descoberta, renovada a cada mergulho.
wished starfish
3.6.07
28.5.07
japa food = addicting
eu até já tinha provado algumas vezes, mas no Brasil atingiu uma outra dimensão. logo na primeira semana fomos ao tokyo - rodízio de sushi, neste regime é que nunca tinha comido. imaginem é como a disneyland do sushi, porque é self service ilimitado do que quisermos, ok temos de pagar um acréscimo à "unidade" de que nos servirmos e não comermos, mas comilona como sou é um risco que não corria. ok que supostamente não ocorreria porque depois houve uma vez no sushi perto de casa (aquele que tivemos uma explosão de felicidade quando abriu) em que se escrevia numa folha de menu o que se queria e como era um jantar para ai com 10 pessoas, calculamos mal e foi rebola completamente. como eu estava a dizer desde essa primeira semana no Brasil e durante os dois meses que lá estivemos o excitamento com que passamos a comer sushi não é nada normal. é uma espécie de "natural high", sorriso colado, orelha a orelha, sem qualquer tipo de descrição :)
wished starfish
in the blink of an eye (3)
quase me esquecia:
do nosso momento madame, com direito a manicure semanal, não tão frequente também fazíamos o pé e ainda tivemos direito a super massagem com o mar como pano de fundo
o nosso momento qualidade martini, ao fim do dia enquanto víamos cobras e lagartos antes de jantar
o nosso momento sala de yoga, rebola após banquetes divinais, com direito a muitas ventoinhas, música e ri muito muito.
wished starfish
in the blink of an eye (2)
a vertente gastronómica também foi muito explorada, coxinha catupiry, pão de queijo, acaraje, rodízio de carne, rodízio de pizza, rodízio de camarão, rodízio de sushi, as mega saladas, a picanha, o marisco, o típico feijão com arroz, o peixe agulha, a macaxeira, a carene de sol, os almoços maravilhosos no hospital português - YUMMY - e os sucos? a água de côco? as caipifrutas? tudo delicioso, vamos repetir luna?
wished starfish
in the blink of an eye (1)
faz hoje 1 ano que iniciamos a aventura e atravessamos o atlântico rumo ao "desconhecido".
no desembarque cara familiar à espera e jantar de recepção com peruanos, argentinos e sei lá o que mais.. nós todas meladas ainda em fase de habituação ao clima húmido, tropical, mergulhamos num jantar de cerimónia - que fazer? valeu-nos a sissy a yorkshire da família que nos adoptou desde primeiro momento.
a mini piscina em casa também ajudou nos dias de recuperação do jet lag e pré-aventuras de incursão no ónibus - transporte de eleição, que remédio tínhamos nós face à condução caótica, autentica lei da selva.
o Brasil foi totalmente o mundial, da cabeça aos pés, de alma e coração, não dá nem para explicar é uma diferença tão grande, um fanatismo, mesmo nós também gostando de futebol. "ele" era unhas, era cara, era esponjas de banho, cadeiras de jardim, tudo possível e imaginário que se vendesse dos artigos mais básicos aos elaborados com as cores da selecção canarinha.
bem as compras, minha nossa, nós bem tentamos, mas não vale a pena. quantos biquínis trouxemos? entre encomendas, presentes e para nós mesmas? quantas vezes entramos na riachuelo? o roteiro do shopping.
o ritual das sessões semanais de cinema brasileiro:
- Deus é Brasileiro: (António Fagundes) decide tirar férias e descansar em estrelas distantes. Antes disso, Deus precisa encontrar um santo que se ocupe de Suas obrigações com o mundo. inicia suas buscas no Brasil, país tão religioso que, entretanto, nunca teve um santo seu reconhecido oficialmente. Seu guia no Brasil é Taoca (Wagner Moura), um esperto borracheiro e pescador que vê, nesse encontro com Deus, uma oportunidade para resolver seus problemas materiais.
- Dom: o filme mostra a vida de Bento (Marcos Palmeira), um homem que só tem esse nome porque os pais, apreciadores de Machado de Assis, o baptizam em homenagem ao personagem homónimo do livro "Dom Casmurro". A razão da homenagem é tantas vezes justificada, que Bento cresce com a ideia fixa de ser o próprio personagem e de estar destinado a viver a mesma história do romance. Por isso, chama sua amiga de infância no Rio de Janeiro de Capitu, quando seu nome é, na verdade, Ana (Maria Fernanda Cândido). Ao reencontrá-la, vê renascer o romance da infância.
- O Xangô de Baker Street : a trama se passa no Rio de Janeiro em 1886. Assustado com o roubo misterioso de um valioso violino Stradivarius, o imperador D. Pedro II (Cláudio Marzo) chama o famoso detective Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) e seu fiel parceiro Watson (Anthony O'Donnell) para desvendar o crime. Enquanto isso, um assassinato choca a cidade e deixa em pânico o delegado Mello Pimenta (Marco Nanini). Uma corda de violino é encontrada na cena crime e Sherlock Holmes se envolve na investigação de um estranho serial killer tropical.
- O Homem que Copiava: André (Lázaro Ramos) é um jovem de 20 anos, com o segundo grau incompleto, e muitos planos. trabalha como operador de fotocopiadora numa livraria e papelaria em Porto Alegre. Sua maior preocupação é como arranjar trinta e oito reais para comprar um presente para Silvia (Leandra Leal), por quem é apaixonado. Num dos planos bolados pelo rapaz, conhece Marinês (Luana Piovani), a bela e ambiciosa atendente da papelaria.
mas de tanta coisa boa, as nossas viagens qualidade de vida, os nossos momentos nota 10, o chicken club.. da imensidão de recordações, o que não posso jamais esquecer é a hospitalidade e disponibilidade com que nos receberam, trago comigo a luz nos olhos de algumas doentes que seguíamos no hospital português e ainda hoje as vejo sorrir assim que entramos no quarto :)
wished starfish
26.5.07
anger management
irrita-me profundamente que todos os concertos bons se realizem em Lisboa, Coimbra, Braga ou Famalicão.
não, não é que não quisesse que assim fosse, mas por alma de quem é que a invicta deixou de ter direito?
não, não é que não quisesse que assim fosse, mas por alma de quem é que a invicta deixou de ter direito?
das duas uma, ou os agentes culturais não estão a trabalhar bem, a cumprir o seu dever ou então é o rui rio que põe todos a correr, criando verdadeiras alergias com a sua chamada "política cultural" - humpf.
wished starfish
24.5.07
it's a wonder
Freud com certeza saberia explicar, não sei porque tenho sempre mais facilidade em saber o que não gosto, o que não quero, do que o gosto. muitas escolhas fiz por eliminação de hipóteses e não por me surgir espontaneamente uma como a eleita. bem claro está que há excepções, mas como o próprio ditado diz fogem à regra.
isso ou como explicar a minha dificuldade com classificações, rankings e tops aliás como se pode ver no post abaixo
wished starfish
if
se eu fosse uma hora do dia | seria... o fim da tarde na praia, com direito aquela sensação de sal na pele em pleno dia de verão e onde se antevê um início de noite quente
se eu fosse um astro | seria... uma estrela, corpo celeste que emite luz, então as cadentes com os desejos
se eu fosse uma direcção | seria... a da volta ao mundo em 80 dias como o willy fog
se eu fosse um móvel | seria... um baloiço de madeira em pequena e uma cama em grande
se eu fosse um líquido | seria... água a minha bebida eleita para matar a sede e porto para saborear
se eu fosse um pecado | seria... gula
se eu fosse uma pedra | seria... uma água-marinha ou um coral
se eu fosse uma árvore | seria... uma mimosa cheia de luz ou qualquer uma das árvores de fruto que tantas vezes trepei em casa dos meus avós, joelhos negros semanalmente tinham que se dever a qualquer coisa, por isso usávamos aqueles remendos nas calças, joelheiras
se eu fosse uma fruta | seria... um morango com chocolate quente, uma cereja, uma framboesa ou mesmo um maracujá tão perfumado e tropical
se eu fosse uma flor | seria... uma frésia pelo cheiro, uma tulipa pela beleza
se eu fosse um clima | seria... um quente e tropical, não não sou das que gostam da colecção de roupa de inverno
se eu fosse um instrumento musical | seria... um piano, como o que tocava quando era pequenina
se eu fosse um elemento | seria... água, mar, rio, whatever, embora o signo seja terra, água é 'O' meu elemento
se eu fosse uma cor | seria... o verde (identifico-me), o azul água, turquesa, eléctrico somos campeões :)
se eu fosse um animal | seria... um peixinho ou uma estrela do mar
se eu fosse um som | seria... o das ondas, o dos mergulhos, splash por todo o lado, o dos sorrisos quando são sonoros, o dos saltinhos na madeira de felicidade
se eu fosse uma música | seria... tão difícil esta, acho que não consigo
se eu fosse um estilo musical | seria... jazz
se eu fosse um sentimento | seria... cumplicidade
se eu fosse um livro | seria... a menina do mar Sophia de Mello Breyner Andresen
se eu fosse uma comida | seria... sushi, mas também pasta italiana maravilhosa, sem esquecer a picanha, os nan, o leitão, o bacalhau - aiiiiiiii o pecado da gula novamente
se eu fosse uma lugar | seria... o Porto cidade que amo, mas também moledo e todos os locais por onde vou passando e trago comigo
se eu fosse um gosto | seria... doce ou salgado, não sei, o dos sorvetes da minha avó
se eu fosse um cheiro | seria... a pele depois de sol e mar, o das melissa, o fresco da terra molhada depois da chuva
se eu fosse uma palavra | seria... abraço
se eu fosse um verbo | seria... partilhar
se eu fosse um objecto | seria... o meu anel
se eu fosse uma peça de roupa | seria... um vestido
se eu fosse uma parte do corpo | seria... os olhos, a boca, nunca me decido
se eu fosse uma expressão facial | seria... sorriso
se eu fosse um desenho animado | seria... mermaid
se eu fosse um um filme | seria... tão difícil esta, acho que não consigo
se eu fosse uma forma | seria... colorida
se eu fosse um número | seria... o 7
se eu fosse uma estação | seria... do ano o verão, de transporte seria a de São Bento de partida para um interrail
se eu fosse uma frase | seria... "ah e tal, é preciso ver, ver, logo eles coiso mergulham"; "existe sim"; vá agora a sério, seria "e um olhar perdido é tão difícil de encontrar como é congregar ventos dispersos pelo mar"
wished starfish
23.5.07
catch a falling star
dias com sonhos agitados, sonho muito.
o que se diz ser o ideal para uma análise em condições e é cada sonho,
às vezes são "clear as water", muito relacionados com o dia-a-dia, outras vezes pergunto-me onde fui buscar tal coisa. pessoas que desencanto de há anos atrás, das quais já nem me lembrava, locais desconhecidos que não consigo de todo identificar, personagens díspares que se misturam, difusos, cinzentos, pesados, confusos.
dias há em que acordar é um alívio, assim que me apercebo que não passou tudo do plano onírico, *suspiro*, descanso.
outros há que nem tanto e ai apetecia-me prolongar aqueles momentos estende-los à vida real, nessa altura fecho os olhos, sorrio e viro-me na esperança de pelo menos recuperar o sonho no exacto momento em que o interrompi.
às vezes são "clear as water", muito relacionados com o dia-a-dia, outras vezes pergunto-me onde fui buscar tal coisa. pessoas que desencanto de há anos atrás, das quais já nem me lembrava, locais desconhecidos que não consigo de todo identificar, personagens díspares que se misturam, difusos, cinzentos, pesados, confusos.
dias há em que acordar é um alívio, assim que me apercebo que não passou tudo do plano onírico, *suspiro*, descanso.
outros há que nem tanto e ai apetecia-me prolongar aqueles momentos estende-los à vida real, nessa altura fecho os olhos, sorrio e viro-me na esperança de pelo menos recuperar o sonho no exacto momento em que o interrompi.
wished starfish
19.5.07
17.5.07
as time goes by
é HOJE
há 1ano começava assim.
quem diria que ainda por cá andaria nesta altura..
para já mantenho-me, sem compromissos nem complexos, no dia em que assim não for, pura e simplesmente deixa de fazer sentido.
na altura peixinho do mar - mermaid, hoje whispering wishes - starfish, apenas uma pequena alteração na denominação,
os sonhos, esses são os mesmos, os desejos também, fortes como a natureza do mar que reconheço como elemento essencial
wished starfish
11.5.07
congratulations
muitos saltinhos, muitos mesmo, muitos, todos até não conseguirmos mais.
ao telefone, no jardim, na sala, na entrada, em qualquer sítio, em todo lado!
"clap-clap-clap" you made it!
wished starfish
9.5.07
share and share alike (6)
'muito cedo, ainda.nem os passáros nas árvores acordados e já eu, chávena de chá na mão, regressada ao cinzento da cidade. mais fácil. é sempre mais fácil fugir daquilo que nos assusta. e, digam o que disserem, aos sonhos não se lhes vira a cara. aos sonhos, dá-se-lhes toda a atenção.'
wished starfish
quoting (11)
"cem dias e cem noites passaram sobre a última madrugada vivida no pátio da luz e de sombras que me há-de acompanhar até ao último dia.
cem dias e cem noites, o tempo preciso para voltar a acreditar que existe mesmo uma possibilidade de ser tão feliz ali como em qualquer lugar.
cem dias e cem noites, um tempo exacto e geométrico. o tempo que as coisas demoram a assentar. a esquecer e a lembrar. a curar e a apagar.
no dia em que voltamos juntos ao lugar onde tudo ficara desenhado no chão para, um dia, recomeçar, as primeiras pedras e os primeiros ferros já estavam de pé. fortes, consistentes e, no entanto, ainda frágeis como o caule dos lírios e transparentes como o vidro das janelas onde, na derradeira madrugada, os mosquitos bateram aflitos e morreram cegos pela luz.
a água da barragem transbordou e o lago espelha agora um céu ainda maior. infinito, onde cabem quase todas as nuvens e, ainda, as sombras das árvores, das canas e dos juncos que antes não se viam por estarem para lá da cerca de madeira.
a água, batida pelo vento de outono, corre veloz como se houvesse naquele lugar alguma pressa. uma urgência de voltar para ficar.
espalhados pelo chão, os montes de areia, de terra húmida, de pedras e tábuas desalinhadas, dão a este lugar um ar de desordem, de caos instalado. e, no entanto, é apenas mais uma ilusão.
por detrás de cada pedaço de lama cinzenta arrancada debaixo do chão e posta de lado para voltar para de onde veio, existe uma teia invisível de ferro e pedra, escrupulosamente tecida para travar a terra e conquistar o espaço subterrâneo por onde corre o labirinto de esquadrias que hão-de voltar a sustentar paredes, o telhado e grande parte da nossa existência.
o vento, incessante, atravessa todo o campo fazendo inclinar as ervas e o que resta de seara à sua passagem e trespassa a copa das árvores que balançam, mas não vergam. as árvores antigas foram plantadas com ciência, do lado de lá da barragem, no monte que se eleva subtilmente a partir da linha de água e se estende para trás, a perder de vista.
as árvores mais novas foram impecavelmente alinhadas do outro lado, num bosque infantil feito de alamedas rectas, cobertas de musgo, trevos e folhas ocres.
ao longe, mesmo muito longe, uma linha de plátanos cor de fogo parece suspensa no fio do horizonte. no crepúsculo, o amarelo quente que se desprende das suas folhas ilumina o céu e chega a confundir-se com o sol poente.
do lado oposto, o sol a pique mostra onde está o norte e o sul, cobre a terra de sombras e espalha cores impossíveis. uma paz absoluta também.
ninguém fala porque ninguém quer quebrar o silêncio nem dissolver a perfeição dos minutos que se sucedem. lentos, leves irreais.
cem dias e cem noites, o tempo preciso para voltar a acreditar que existe mesmo uma possibilidade de ser tão feliz ali como em qualquer lugar.
cem dias e cem noites, um tempo exacto e geométrico. o tempo que as coisas demoram a assentar. a esquecer e a lembrar. a curar e a apagar.
no dia em que voltamos juntos ao lugar onde tudo ficara desenhado no chão para, um dia, recomeçar, as primeiras pedras e os primeiros ferros já estavam de pé. fortes, consistentes e, no entanto, ainda frágeis como o caule dos lírios e transparentes como o vidro das janelas onde, na derradeira madrugada, os mosquitos bateram aflitos e morreram cegos pela luz.
a água da barragem transbordou e o lago espelha agora um céu ainda maior. infinito, onde cabem quase todas as nuvens e, ainda, as sombras das árvores, das canas e dos juncos que antes não se viam por estarem para lá da cerca de madeira.
a água, batida pelo vento de outono, corre veloz como se houvesse naquele lugar alguma pressa. uma urgência de voltar para ficar.
espalhados pelo chão, os montes de areia, de terra húmida, de pedras e tábuas desalinhadas, dão a este lugar um ar de desordem, de caos instalado. e, no entanto, é apenas mais uma ilusão.
por detrás de cada pedaço de lama cinzenta arrancada debaixo do chão e posta de lado para voltar para de onde veio, existe uma teia invisível de ferro e pedra, escrupulosamente tecida para travar a terra e conquistar o espaço subterrâneo por onde corre o labirinto de esquadrias que hão-de voltar a sustentar paredes, o telhado e grande parte da nossa existência.
o vento, incessante, atravessa todo o campo fazendo inclinar as ervas e o que resta de seara à sua passagem e trespassa a copa das árvores que balançam, mas não vergam. as árvores antigas foram plantadas com ciência, do lado de lá da barragem, no monte que se eleva subtilmente a partir da linha de água e se estende para trás, a perder de vista.
as árvores mais novas foram impecavelmente alinhadas do outro lado, num bosque infantil feito de alamedas rectas, cobertas de musgo, trevos e folhas ocres.
ao longe, mesmo muito longe, uma linha de plátanos cor de fogo parece suspensa no fio do horizonte. no crepúsculo, o amarelo quente que se desprende das suas folhas ilumina o céu e chega a confundir-se com o sol poente.
do lado oposto, o sol a pique mostra onde está o norte e o sul, cobre a terra de sombras e espalha cores impossíveis. uma paz absoluta também.
ninguém fala porque ninguém quer quebrar o silêncio nem dissolver a perfeição dos minutos que se sucedem. lentos, leves irreais.
de repente, um barulho desperta outros sons. um riso infantil revela o esforço de ganhar balanço para subir ao monte de areia mais alto, o grito da primeira cigarra que pressente a escuridão antecipa a noite e as rãs mergulham devagar porque reconhecem aquela hora no seu elemento. das árvores desprende-se o inconfundível som vegetal das folhas que estremecem e se tocam, o vento voltou e a luz vai-se diluindo deixando um rasto de sombras cada vez mais escuras e pequenas luzinhas que, silenciosamente, se acendem nas casas ao fundo. num instante a terra fica mais escura do que o céu e as primeiras estrelas são estas que aparecem rentes ao chão. por magia. como se fosse possível suspender o mundo e vira-lo ao contrário sem perturbar a quietude e a ordem das coisas.
ao longe, uma voz distraída canta sozinha fragmentos dispersos de canções infantis. cala-se, enche o peito de ar, apanha mais uma vez balanço e chega, finalmente, ao cimo do monte mais alto.
ao longe, uma voz distraída canta sozinha fragmentos dispersos de canções infantis. cala-se, enche o peito de ar, apanha mais uma vez balanço e chega, finalmente, ao cimo do monte mais alto.
- vou ser feliz! - grita.
o grito dissolveu-se no ar, mas ficou guardado no meu coração. para sempre."
[laurinda alves]
wished starfish
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