24.5.07

if


se eu fosse uma hora do dia | seria...
o fim da tarde na praia, com direito aquela sensação de sal na pele em pleno dia de verão e onde se antevê um início de noite quente
se eu fosse um astro | seria... uma estrela, corpo celeste que emite luz, então as cadentes com os desejos
se eu fosse uma direcção | seria... a da volta ao mundo em 80 dias como o willy fog
se eu fosse um móvel | seria... um baloiço de madeira em pequena e uma cama em grande
se eu fosse um líquido | seria... água a minha bebida eleita para matar a sede e porto para saborear
se eu fosse um pecado | seria... gula
se eu fosse uma pedra | seria... uma água-marinha ou um coral
se eu fosse uma árvore | seria... uma mimosa cheia de luz ou qualquer uma das árvores de fruto que tantas vezes trepei em casa dos meus avós, joelhos negros semanalmente tinham que se dever a qualquer coisa, por isso usávamos aqueles remendos nas calças, joelheiras
se eu fosse uma fruta | seria... um morango com chocolate quente, uma cereja, uma framboesa ou mesmo um maracujá tão perfumado e tropical
se eu fosse uma flor | seria... uma frésia pelo cheiro, uma tulipa pela beleza
se eu fosse um clima | seria... um quente e tropical, não não sou das que gostam da colecção de roupa de inverno
se eu fosse um instrumento musical | seria... um piano, como o que tocava quando era pequenina
se eu fosse um elemento | seria... água, mar, rio, whatever, embora o signo seja terra, água é 'O' meu elemento
se eu fosse uma cor | seria... o verde (identifico-me), o azul água, turquesa, eléctrico somos campeões :)
se eu fosse um animal | seria... um peixinho ou uma estrela do mar
se eu fosse um som | seria... o das ondas, o dos mergulhos, splash por todo o lado, o dos sorrisos quando são sonoros, o dos saltinhos na madeira de felicidade
se eu fosse uma música | seria... tão difícil esta, acho que não consigo
se eu fosse um estilo musical | seria... jazz
se eu fosse um sentimento | seria... cumplicidade
se eu fosse um livro | seria... a menina do mar Sophia de Mello Breyner Andresen
se eu fosse uma comida | seria... sushi, mas também pasta italiana maravilhosa, sem esquecer a picanha, os nan, o leitão, o bacalhau - aiiiiiiii o pecado da gula novamente
se eu fosse uma lugar | seria... o Porto cidade que amo, mas também moledo e todos os locais por onde vou passando e trago comigo
se eu fosse um gosto | seria... doce ou salgado, não sei, o dos sorvetes da minha avó
se eu fosse um cheiro | seria... a pele depois de sol e mar, o das melissa, o fresco da terra molhada depois da chuva
se eu fosse uma palavra | seria... abraço
se eu fosse um verbo | seria... partilhar
se eu fosse um objecto | seria... o meu anel
se eu fosse uma peça de roupa | seria... um vestido
se eu fosse uma parte do corpo | seria... os olhos, a boca, nunca me decido
se eu fosse uma expressão facial | seria... sorriso
se eu fosse um desenho animado | seria... mermaid
se eu fosse um um filme | seria... tão difícil esta, acho que não consigo
se eu fosse uma forma | seria... colorida
se eu fosse um número | seria... o 7
se eu fosse uma estação | seria... do ano o verão, de transporte seria a de São Bento de partida para um interrail
se eu fosse uma frase | seria... "ah e tal, é preciso ver, ver, logo eles coiso mergulham"; "existe sim"; vá agora a sério, seria "e um olhar perdido é tão difícil de encontrar como é congregar ventos dispersos pelo mar"

23.5.07

catch a falling star

dias com sonhos agitados, sonho muito.
o que se diz ser o ideal para uma análise em condições e é cada sonho,
às vezes são "clear as water", muito relacionados com o dia-a-dia, outras vezes pergunto-me onde fui buscar tal coisa. pessoas que desencanto de há anos atrás, das quais já nem me lembrava, locais desconhecidos que não consigo de todo identificar, personagens díspares que se misturam, difusos, cinzentos, pesados, confusos.
dias há em que acordar é um alívio, assim que me apercebo que não passou tudo do plano onírico, *suspiro*, descanso.
outros há que nem tanto e ai apetecia-me prolongar aqueles momentos estende-los à vida real, nessa altura fecho os olhos, sorrio e viro-me na esperança de pelo menos recuperar o sonho no exacto momento em que o interrompi.


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19.5.07

wish-fulfillment (2)


sou absolutamente viciada em gelados


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e não só..

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por isso não hesito em dizer que dos 7 pecados, o da gula, sem dúvida



17.5.07

as time goes by

é HOJE

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há 1ano começava assim.
quem diria que ainda por cá andaria nesta altura..
para já mantenho-me, sem compromissos nem complexos, no dia em que assim não for, pura e simplesmente deixa de fazer sentido.

na altura peixinho do mar - mermaid, hoje whispering wishes - starfish, apenas uma pequena alteração na denominação,
os sonhos, esses são os mesmos, os desejos também, fortes como a natureza do mar que reconheço como elemento essencial

11.5.07

congratulations



muitos saltinhos, muitos mesmo, muitos, todos até não conseguirmos mais.
ao telefone, no jardim, na sala, na entrada, em qualquer sítio, em todo lado!

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"clap-clap-clap" you made it!

9.5.07

share and share alike (6)



'muito cedo, ainda.nem os passáros nas árvores acordados e já eu, chávena de chá na mão, regressada ao cinzento da cidade. mais fácil. é sempre mais fácil fugir daquilo que nos assusta. e, digam o que disserem, aos sonhos não se lhes vira a cara. aos sonhos, dá-se-lhes toda a atenção.'


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quoting (11)


"cem dias e cem noites passaram sobre a última madrugada vivida no pátio da luz e de sombras que me há-de acompanhar até ao último dia.
cem dias e cem noites, o tempo preciso para voltar a acreditar que existe mesmo uma possibilidade de ser tão feliz ali como em qualquer lugar.
cem dias e cem noites, um tempo exacto e geométrico. o tempo que as coisas demoram a assentar. a esquecer e a lembrar. a curar e a apagar.
no dia em que voltamos juntos ao lugar onde tudo ficara desenhado no chão para, um dia, recomeçar, as primeiras pedras e os primeiros ferros já estavam de pé. fortes, consistentes e, no entanto, ainda frágeis como o caule dos lírios e transparentes como o vidro das janelas onde, na derradeira madrugada, os mosquitos bateram aflitos e morreram cegos pela luz.
a água da barragem transbordou e o lago espelha agora um céu ainda maior. infinito, onde cabem quase todas as nuvens e, ainda, as sombras das árvores, das canas e dos juncos que antes não se viam por estarem para lá da cerca de madeira.
a água, batida pelo vento de outono, corre veloz como se houvesse naquele lugar alguma pressa. uma urgência de voltar para ficar.
espalhados pelo chão, os montes de areia, de terra húmida, de pedras e tábuas desalinhadas, dão a este lugar um ar de desordem, de caos instalado. e, no entanto, é apenas mais uma ilusão.
por detrás de cada pedaço de lama cinzenta arrancada debaixo do chão e posta de lado para voltar para de onde veio, existe uma teia invisível de ferro e pedra, escrupulosamente tecida para travar a terra e conquistar o espaço subterrâneo por onde corre o labirinto de esquadrias que hão-de voltar a sustentar paredes, o telhado e grande parte da nossa existência.
o vento, incessante, atravessa todo o campo fazendo inclinar as ervas e o que resta de seara à sua passagem e trespassa a copa das árvores que balançam, mas não vergam. as árvores antigas foram plantadas com ciência, do lado de lá da barragem, no monte que se eleva subtilmente a partir da linha de água e se estende para trás, a perder de vista.
as árvores mais novas foram impecavelmente alinhadas do outro lado, num bosque infantil feito de alamedas rectas, cobertas de musgo, trevos e folhas ocres.
ao longe, mesmo muito longe, uma linha de plátanos cor de fogo parece suspensa no fio do horizonte. no crepúsculo, o amarelo quente que se desprende das suas folhas ilumina o céu e chega a confundir-se com o sol poente.
do lado oposto, o sol a pique mostra onde está o norte e o sul, cobre a terra de sombras e espalha cores impossíveis. uma paz absoluta também.
ninguém fala porque ninguém quer quebrar o silêncio nem dissolver a perfeição dos minutos que se sucedem. lentos, leves irreais.
de repente, um barulho desperta outros sons. um riso infantil revela o esforço de ganhar balanço para subir ao monte de areia mais alto, o grito da primeira cigarra que pressente a escuridão antecipa a noite e as rãs mergulham devagar porque reconhecem aquela hora no seu elemento. das árvores desprende-se o inconfundível som vegetal das folhas que estremecem e se tocam, o vento voltou e a luz vai-se diluindo deixando um rasto de sombras cada vez mais escuras e pequenas luzinhas que, silenciosamente, se acendem nas casas ao fundo. num instante a terra fica mais escura do que o céu e as primeiras estrelas são estas que aparecem rentes ao chão. por magia. como se fosse possível suspender o mundo e vira-lo ao contrário sem perturbar a quietude e a ordem das coisas.
ao longe, uma voz distraída canta sozinha fragmentos dispersos de canções infantis. cala-se, enche o peito de ar, apanha mais uma vez balanço e chega, finalmente, ao cimo do monte mais alto.

- vou ser feliz! - grita.


o grito dissolveu-se no ar, mas ficou guardado no meu coração. para sempre."



[laurinda alves]

6.5.07

have a glittering day!



com um brilhozinho nos olhos, um sorriso luminoso, um carinho especial.
parabéns! (Muitos!)
porque pões o teu melhor em tudo o que fazes, e nota-se.
é nas pequenas coisas que a Amizade encontra a frescura das manhãs.
em pequenas/grandes conversas.
gosto muito de ti, tanto.
tão tolerante, paciente, flexível, doce, sincera, sensível, amiga.. e a melhor madrinha :)


5.5.07

secrets and surprises



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3.5.07

break a leg





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and knock them out!


30.4.07

worth more than a thousand words (3)




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(handle carefully.. please, or I might dissolve into molecules)


29.4.07

rain rain go away and don't come back another day




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28.4.07

your own flesh and blood




sempre te admirei. sempre percebi o teu enorme coração, escondido atrás dessas palavras duras, dessas sobrancelhas escuras e franzidas, dessa falta de carinho. espero haver tempo para te conhecer melhor. para me conheceres, não me conheces, só conheces a imagem de uma filha que foste tu quem construiu. e não me deixaste construir para além disso. espero haja tempo para te saber estender a mão.

puro plágio, tomei a liberdade de roubar estas palavras, acho que dizem tanto, para ser sincera dizem tudo, vais a tempo sim!

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27.4.07

warning (3)




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é impressionante, todos os meses assim, TPM ao mais alto nível ataca!



26.4.07

warning (2)




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é escusado
não vale a pena
não consigo
ouvir um barulho que seja,
rádio,
televisão,
tentativas de interacção/comunicação,
até ao momento cafeína, tudo chega a mim agressivamente, de forma violenta, como autêntica poluição sonora!



25.4.07

details (1)



fico derretida..


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chegar a cama e encontrar um bombom na mesinha de cabeceira, um sabonete vindo de um hotel ou um livro escolhido especialmente para mim

descobrir na mala para o méxico, já no outro fuso horário, um recado que me deseja boa viagem

encontrar em cima da almofada fotografias de dias de partilhas, sorrisos e coroas na cabeça

maravilhar-me com um saldo surpresa transferido para umas compras em barcelona, roma ou cancun [tenho o irmão mais querido :)]

deliciar-me com uma carta, que estava escondida, em terras quentes de vera cruz que oficializa a adopção

ser surpreendida por uma garrafa de porto


24.4.07

one of a kind (2)

coisas que fazem uma pessoa.. como é que se diz? qual é a palavra..? ah já sei, como diria a Nocas – especial!


nunca
  • comi um gaufre
  • comi donuts
  • comi tripas
  • comi ostras
  • comi caracóis

  • bebi meia de leite
  • bebi uma cerveja

  • vi ficheiros secretos
  • vi csi
  • vi rex, o cão polícia
  • vi anatomia de grey
  • vi doctor house
  • vi ally mcbeal
  • vi vingadora
  • vi six feet under
  • vi lost
  • vi friends
  • vi sopranos
  • vi dr. phil

  • fui ao casino
  • fui ao bingo
  • joguei slotmachines
  • joguei no euromilhões
  • joguei no totoloto
  • joguei no totobola
  • joguei na lotaria

  • fiz análises
  • rachei a cabeça ou levei pontos
  • parti um braço, pé ou qualquer outro membro
  • tive varicela
  • tive sarampo
  • tive um troçolho
  • tive papeira

23.4.07

sail against the wind




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shades of grey (the possibility of uncertainty)




várias questões se levantam face ao impasse profissional..
por onde seguir??
em que investir???
que rumo traçar????
porque área optar?????
quais as hipóteses??????


um sem fim de pontos de interrogação e pior, sem resposta.
o desespero aumenta à medida que o tempo passa, o sentimento de incerteza cresce.
há que tomar decisões, mas qual o melhor caminho? e como lá chegar?
a motivação parece um balão de ar em constante oscilação, aumenta nas consultas à medida que me apercebo o quanto gosto do que faço, o desafio mantém me a subir, mas o difícil é quando esvazia face às poucas oportunidades possíveis saírem frustradas e ai diminui (a motivação), o balão desce sem força e anímico, quase deixando se levar pelo vento da conformidade – há que desistir desta profissão sem perspectiva de empregabilidade, colocação no mercado.
e os dias vão passando assim, nesta variação do continum umas vezes em cima, outras em baixo sendo que estas últimas têm sido mais frequentes. moratória geral, com descrença à mistura, farta de instabilidade, tudo tão cinzento.
sinto que nada nem ninguém nos preparou para isto, ou será que quando entramos no curso a colocação estava mesmo diferente!? sendo portanto nessa altura facilitada com mais oportunidades de trabalho.. o contacto com algumas profissionais que se formaram nessa altura faz me crer que sim, e ainda que assim não fosse, teria tirado outro curso se soubesse concretamente como estava o mercado de trabalho? a verdade é que não sei, não tenho a resposta, mas isso agora não interessa nada. interessa sim o momento presente – o que fazer???
fim do estágio, fim da formação, fim de um ciclo que me faz sentir que novas metas devem ser delineadas.. daí a necessidade de me afastar (no espaço e no tempo) fora da invicta por uns dias, para analisar com a devida tranquilidade, concentração e distanciamento – brb!



21.4.07

I've been wondering about (1)




até onde vai a esperança? até quando dura? como acaba? onde? qual é o limite? em que momento é que deixamos de acreditar? quando é que começamos a desistir?
..ando a tentar encontrar-me. a tentar manter o equilíbrio. a definição é difícil, sem norte, sinto-me perdida e vazia. como se nada fizesse muito sentido.

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[*to ask yourself questions or express a desire to know about something]



17.4.07

quoting (10)



"crónica do hospital

para a rita e para o henrique bicha castelo, que mereciam mais que este texto, com o amor e a gratidão do antónio

não quero aqui ninguém. quero ficar sozinho a medir isto, a minha mortalidade, o meu espanto. por mais que repetisse
- um dia destes
não acreditava que o dia destes chegasse. e agora, março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. tão reles. o olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé, dúzias de histórias de criaturas que passaram por isso que tu tens agora e estão óptimas. recuperando aos poucos da anestesia vou dando-me conta de que um bicho horrível em mim, ratando, ratando. dois sentimentos opostos
-vou lutar, não vou lutar
e o primeiro fala antes do outro
-chamem o Henrique
um grande cirugião, um colega de curso, um amigo, uma das muito poucas pessoas a quem entregaria sem hesitações o meu corpo. este texto talvez vá um pouco desconexo, desculpem, ainda estou fraco, a cabeça tem lacunas, falta-me vocabulário, há mais de nove dias que não pegava numa caneta e é difícil reaprender a andar. o meu medo que o henrique não pudesse. mas disse a quem lhe fala
- eu vou já lá abaixo
e enquanto me faziam uma tac vi-o atrás do vidro, sério, a apertar a boca. depois veio ter comigo
- operto-te amanhã de manhã
e queria que soubesses, henrique, a esperança que as tuas palavras me trouxeram. não só esperança: o que não sei dizer. ou antes sei mas tenho vergonha. contento-me em pensar que tu sabes. basta a maneira de protestares, de mão contrariada
- não me agradeças, não me agradeças
basta o teu afecto pragmático diante das minhas perguntas
- uma coisa de cada vez
o modo como me disseste
- eu trato-te
como diante da minha aflição, aflição sim senhor, deixemo-nos de tretas
- e se houver metástases no fígado?
- eu tiro-as
e eu tentanto pôr-me no teu lugar pensando como deve ser penoso operar um amigo. um amigo desde os dezoito anos. em como deve ser penoso, em como deve ter sido penoso para o henrique trabalhar com uma carga afectiva em cima dele, naquelas circunstâncias. mexeu-me todo: tirou vesícula, tirou o apêndice, até as glândulas seminais andou a ver. isto há dez dias, onze dias. escrevo do hospital onde estou, é a primeira vez que uma pessegada destas me sucede. magro, magro. com uma algália ainda: é uma sorte que uma algália ainda, tive mil trezentos e seis tubos a saírem de mim. espero que na revista entendam a caligrafia tremida da crónica. suceda o que suceder, uma coisa tenho por certa: isto alterou, de cabo a rabo, a minha vida. ignoro em que sentido, ignoro como.
sei que alterou. santa maria. o que farei daqui para a frente, se existir daqui para a frente? livros, claro, foi para isso que me mandaram para o meio de vós. quando isto sucedeu lutava com um, tinha outro pronto, já antigo, pronto há um ano e tal, para outubro. para dar tempo aos tradutores de o traduzirem e saírem mais ou menos na mesma altura que em portugal. esse livro tem a melhor prosa que fiz até hoje,parece recitado por um anjo. aquele em que trabalhava é apenas um embrião, cerca de metade do primeiro esboço, falta-lhe quase tudo. a partir de agora, se calhar, falta-lhe tudo. voltarei a ele? Uma coisa de cada vez, não é henrique? vamos a ver. de uma forma ou outra a gente luta sempre. momentos de quase esperança, momentos de desânimo. não: momentos de muito desânimo e momentos de desânimo maior, como se me obrigassem a escolher entre o que não vale nada e o que vale ainda menos. este mês deram-me um prémio literário. estão sempre a dar-me prémios e claro que tenho prazer nisso, não sou mentiroso nem hipócrita. toda a gente foi muito simpática.
e sem que ele sonhassem
(sonhava eu)
o cancro
ratando, ratando, injusto, teimoso, cego. mói e mata. mata. mata. mata. mata. levou-me tantas das pessoas que mais queria. e eu, já agora, quero-me? sim. não. sim. não - sim. por enquanto meço o meu espanto, à medida que nas árvores da cerca uns pardais fazem ninho. a primavera mal começou e eles truca, ninho. obrigado, senhor, por haver futuro para alguém."


[lobo antunes]

9.4.07

it's a kind of magic (2)


to miss m (26/12/2005 )



a mim ensinou-me tudo.
ensinou-me a olhar para as coisas.
aponta-me todas as coisas que há nas flores.
mostra-me como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão
e olha devagar para elas.




8.4.07

the day on which Easter is celebrated





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4.4.07

follow the trail of ice-creams and milkshakes to find





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31.3.07

throw a going away party





*SURPRISE**SURPRISE**SURPRISE**SURPRISE**SURPRISE**SURPRISE*




when the guest of honor arrives, it is appropriate to recognize the reason you are all gathered there. Make it short and sweet, wish them well, and let the festivities commence. Considering the sad nature of having to part with a friend, the "going away" party should most definitely be a lot of fun - a sort of "last hurrah".




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quite frankly, I think we made it!




16.3.07

quoting (9)




[...] apenas a boca... por enquanto... ah!... por enquanto... depois a pensar... oh muito depois... súbito vislumbre... não pode continuar... todo este... todo aquele... fluxo contínuo... esforçando-se por ouvir... por dali extrair alguma coisa... e os seus próprios pensamentos... extrair deles alguma coisa... tudo -... o quê?... o zumbido?... sim... o tempo todo... o zumbido... por assim dizer... tudo aquilo ao mesmo tempo... imaginem!... o corpo todo como que desaparecido... apenas a boca... os lábios... a face... os maxilares... sem pararem um segundo... a boca em chamas... fluxo de palavras... nos seus ouvidos... não conseguindo apanhar nem metade... nem um quarto... nenhuma ideia do que estava a dizer!... e não consegue parar... não há maneira de parar aquilo... [...]

não eu



[samuel beckett]

have your nose in a book (to be continually reading)





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e já lá vão seis




11.3.07

be full of the joys of spring



declaro aberta a época oficial de banhos com direito a mergulho inaugural nas águas geladas do norte, mais precisamente na praia de moledo


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10.3.07

quoting (8)



"a minha barcelona, a de que gosto, é a da fusão de culturas forjada na modernidade e na tradição, que dão a mão num contraste que só é possível nesta cidade. talvez por isso o meu bairro preferido seja raval. capas e modernidade convivem sem estridências num dos bairros com mais tradição de barcelona. 'graffiti' e 'punks' cruzam-se com velhinhas encantadoras. nada parece perturbar os habitantes. ao lado de um talho árabe convertido podem encontrar o café mais divertido ou o melhor sítio para comprar roupa em segunda-mão.
quando quero ver passar o mundo à minha volta nada melhor do que uma das esplanadas da rambla del raval ou da plaça dels angels, que se abre ao espaço diáfano do macba, uma miragem de modernidade branca no meio de um bosque cinzento de edifícios centenários. para beber um copo ao sol, a esplanada de ra, ao lado do mercado da la boqueria, é a minha melhor escolha. este mercado de estética modernista, que aparece em todos os guias, pode converter-se numa orgia para os sentidos. tem frutas e verduras de formas, cheiros e sabores que nos transportam para outras dimensões.
outro dos meus lugares preferidos é a parte baixa do bairro gótico, por trás dos correios. por essas ruazitas, onde é fácil perdermo-nos, há pequenas jóias como galerias de arte recônditas, pracinhas com um encanto especial ou sítios divertidos para comer qualquer coisa ou beber.
despertar em barcelona a ver o mar é o meu sonho.
ainda assim, contento-me por saber que está ali escondido algures depois dos telhados. durante a semana, o ritmo desenfreado a que correm as ruas faz-me esquecer que vivo numa das cidades mais abertas ao mediterrâneo, mas tento recuperar isso no fim-de-semana com passeios ao sol da barceloneta. Depois, nada melhor do que as fantásticas 'sandes' do conesa, na plaza de sant jaume"


9.3.07

share and share alike (5)



fiquei deslumbrada com todos os encantos de BARÇA
cada dia que passava ficava mais encantada e surpreendida com aquela cidade..a começar pelo tempo (que é sempre óptimo) até ao percurso histórico da cidade (que é totalmente fascinante!), passando pela cultura (em cada esquina há um museu) e pela actividade nocturna (todos os dias da semana a um nível incomparável!)
...enfim: de p*ta madre!!!


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mermaid wishes