11.3.07

be full of the joys of spring



declaro aberta a época oficial de banhos com direito a mergulho inaugural nas águas geladas do norte, mais precisamente na praia de moledo


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10.3.07

quoting (8)



"a minha barcelona, a de que gosto, é a da fusão de culturas forjada na modernidade e na tradição, que dão a mão num contraste que só é possível nesta cidade. talvez por isso o meu bairro preferido seja raval. capas e modernidade convivem sem estridências num dos bairros com mais tradição de barcelona. 'graffiti' e 'punks' cruzam-se com velhinhas encantadoras. nada parece perturbar os habitantes. ao lado de um talho árabe convertido podem encontrar o café mais divertido ou o melhor sítio para comprar roupa em segunda-mão.
quando quero ver passar o mundo à minha volta nada melhor do que uma das esplanadas da rambla del raval ou da plaça dels angels, que se abre ao espaço diáfano do macba, uma miragem de modernidade branca no meio de um bosque cinzento de edifícios centenários. para beber um copo ao sol, a esplanada de ra, ao lado do mercado da la boqueria, é a minha melhor escolha. este mercado de estética modernista, que aparece em todos os guias, pode converter-se numa orgia para os sentidos. tem frutas e verduras de formas, cheiros e sabores que nos transportam para outras dimensões.
outro dos meus lugares preferidos é a parte baixa do bairro gótico, por trás dos correios. por essas ruazitas, onde é fácil perdermo-nos, há pequenas jóias como galerias de arte recônditas, pracinhas com um encanto especial ou sítios divertidos para comer qualquer coisa ou beber.
despertar em barcelona a ver o mar é o meu sonho.
ainda assim, contento-me por saber que está ali escondido algures depois dos telhados. durante a semana, o ritmo desenfreado a que correm as ruas faz-me esquecer que vivo numa das cidades mais abertas ao mediterrâneo, mas tento recuperar isso no fim-de-semana com passeios ao sol da barceloneta. Depois, nada melhor do que as fantásticas 'sandes' do conesa, na plaza de sant jaume"


9.3.07

share and share alike (5)



fiquei deslumbrada com todos os encantos de BARÇA
cada dia que passava ficava mais encantada e surpreendida com aquela cidade..a começar pelo tempo (que é sempre óptimo) até ao percurso histórico da cidade (que é totalmente fascinante!), passando pela cultura (em cada esquina há um museu) e pela actividade nocturna (todos os dias da semana a um nível incomparável!)
...enfim: de p*ta madre!!!


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8.3.07

colouring surprise



"...até sentir a água cobrir-lhe os pés pequenos que primeiro se encolheram, mas depressa se adaptaram à fria temperatura do mar. e, deliciada com aquela sensação que experimentava pela segunda vez, foi caminhando pelo mar adentro e os seus olhos, mais verdes do que nunca, perderam-se na imensidão de prata que se estendia até à linha do horizonte. então, pareceu-lhe ouvir o riso aberto do Gaspar - aquele riso cor de laranja doce do amigo."

16 anos depois sou eu que o leio e como gostei de o fazer! - não há dúvida que é transversal, para todas as idades.
carregado de simbolismo, logo por quem me o deu, também pelo título. fala do mundo que os dois criaram onde tudo é possível acontecer ou não fosse esse o da amizade, da confiança, da inocência e até da fantasia: a lua tem caras? de que cor é o mar? o azul é frio? estará o céu por cima do telhado?



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16.2.07

old habits die hard

...foi necessário 1 mês de terapia intensiva para conseguir mudar um hábito alimentar de 25 anos: hello breakfast!




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14.2.07

spooky



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sempre achei que tinha uma espécie de radar, algo que os fizesse saber.
no colégio era o zé manel que cheirava a papel, o sobrinho da julieta do portão, não me perguntem porque, mas eu bem fugia dele e não havia nada que o demovesse.
logo a seguir foi o cláudio (o nome diz tudo) aquele vizinho que me deu um beijo na garagem.
consigo também lembrar-me do daniel 'bola sete' - gordinho e usava óculos (é um facto, as crianças são cruéis) dava-me aqueles peluches fluorescentes horrendos, além das rosas ocasionais.
depois apareceu o carlos, que parecia um cientista louco (coitado) perseguia-me até casa, deixava-me rosas no portão, telefonemas anónimos daqueles spooky à noite em que só se ouvia a respiração antes do 'click' a desligar, esse sim talvez tenha sido o mais assustador imagine-se com 13 anos a dizer à turma que estava com ideias suicidas por minha causa e eu cheia de medo, com o seu cerco nas incursões a minha casa, lá fui induzida a ir falar com ele que para meu espanto me disse “odeio-te”!
mais tarde foram as cartas anónimas recebidas semanalmente para decifrar uma letra que me levaria à solução, essa descobri-a mesmo antes de acabar o desafio era o nuno um vizinho com quem tinha tido um flirt anos antes na escola e que escrevia frases “anónimas” nas mesas das salas de aula, mais uma vez não muito abonatórias acerca da minha pessoa..
como é possível quase me ia esquecendo do fernando, minha nossa que figura, viu me na homenagem que fizeram ao meu avô na camara da maia e arranjou maneira de saber o meu nome e número de telemóvel (até hoje não faço ideia como nem por quem), enviou-me um ramo de rosas em que o número das mesmas coincidia com o tal dia em que me viu, uns dias a seguir um outro ramo com o número de rosas correspondente a minha idade. até há dois anos atrás ainda me ligava religiosamente à meia noite para me dar os parabéns, de confidencial como sempre. houve uma fase também bastante assustadora, sabia as minhas notas na faculdade, informações sobre os meus pais e chegou-me mesmo a "perseguir" nas saídas à noite.
enfim: that's all folks


11.2.07

one of a kind (1)




há dias lembrei-me deste comentário que escrevi aqui e resolvi publica-lo:

portanto agora q me "obrigaste" a meditar aqui sobre as minhas manias já me consegui lembrar de umas tantas:

usar o relógio na direita, sempre e desde sempre – vá se lá saber porque? lembro-me apenas de reparar que nem todas as pessoas o tinham no mesmo lado

lavar os dentes enquanto passeio pela casa. o meu irmão é igual, poderá ser culpa do nosso dentista que dizia para lavarmos mesmo muito bem os dentes

nunca jamais desde dos tempos d infantário dormir a sesta – completamente impossível. até acho que faz bem, há pessoas q ficam mesmo bem dispostas, só que não sou capaz – ultrapassa-me!

não suportar a cor roxo, lilás, violeta e afins… não, que eu saiba não sofri nenhum trauma, mas sim talvez Freud explicasse

usar sempre pouca roupa (grave distúrbio de calores, a minha teima em dizer que tou na menopausa)

odiar tudo que seja papas, logo inclui: açorda, farinha de pau, papas de sarrabulho… vai ser jeitoso quando tiver na terceira idade



10.2.07

quoting (7)





"a mim, todavia, ensinou-me o mais importante de tudo: ensinou-me a olhar. ensinou-me a olhar para as coisas e para as pessoas, ensinou-me a olhar para o tempo, para a noite, para as manhãs. ensinou-me a abrir os olhos no mar, debaixo de água, para perceber a consistência das rochas, das algas, da areia, de cada gota de água. ensinou-me a olhar longamente, eternamente, cada pedra da piazza navone, em roma, sentados num café, escutando o silêncio da passagem do tempo. fez-me mergulhador e viajante, ensinou-me que só o olhar não mente e que todo o real é verdadeiro. quem ler com atenção, verá que esta é a moral que atravessa toda a sua escrita.


a outra lição decisiva foi a da liberdade. não só a liberdade física, não só a liberdade na luta pela justiça, "num sítio tão imperfeito como o mundo", mas ainda a liberdade na busca de um caminho próprio onde as coisas tenham uma ética e façam sentido e, acima de tudo, a liberdade da nossa própria solidão."



[miguel sousa tavares]

worth more than a thousand words (2)




numa época em que dar as mãos jà não é suficiente.. unamos os pés, tem de resultar!

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8.2.07

new look




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*repaginada



21.1.07

knowledge, esteem, and affection



"sorrisos
conversas
tempo piada (s)
hipótese de sorrir
a tua casa (inclui jardim)
companhia
almoços e lanches
filmes no sofá (em tua casa e na minha)
tontices
boleia (s)
telefonemas (muitos a altas horas)
lanches na padaria ribeiro
messenger
programas

  • compras
  • passeios (meus preferidos são a arca de agua)
  • fazer fotografias
  • até tirar fotocópias

companhia no meu carro (apesar de achares que eu sou assassina :P)
respostas
perguntas
paciência (muitas vezes..)
protecção
faculdade (e partilha na área)
atenção (não só a mim)
carinho nos gestos (em tantos, tantos, tantos..)
não ires ver filme que querias e fazeres-me companhia num que também querias mas não tanto
mensagens (telegráficas quando não eram de borla, muitas depois! ;))
lutas para ir na parte de trás da carrinha
combinações
quarto de cancun
alegria na playa del cármen (mal ouvi o meu nome chamado por uma voz familiar tão longe de casa e há já algum tempo sozinha)
presença em momentos especiais
estágio
almoços no vitaminas
almoços na padaria
almoços e pronto!!
crt com o f.
companhia na missa da capela do creu
pedidos na passagem de ano (para príncipe encantado)
bolo de chocolate
5 sentidos
salada (s)
hábitos saudáveis
curso de sexualidade humana (com jantares à terça no barbarico)
preocupação com o meu colesterol (mesmo ainda antes de saberes que tinha! :P)
estudo/trabalho no jardim
mostrares-me as maravilhas do estudo com amigas
saberes que a verdadeira amizade se vê nas acções"

15.1.07

worth more than a thousand words (1)


first day

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...hoje foi assim!

10.1.07

it will grow back like a starfish!




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(change)



5.1.07

quoting (6)




fundo do mar

no fundo do mar há brancos pavores,
onde as plantas são animais
e os animais são flores.

mundo silencioso que não atinge
a agitação das ondas.
abrem-se rindo conchas redondas,
baloiça o cavalo-marinho.
um polvo avança
no desalinho
dos seus mil braços,
uma flor dança,
sem ruído vibram os espaços.

sobre a areia o tempo poisa
leve como um lenço.

mas por mais bela que seja cada coisa
tem um monstro em si suspenso.


[sophia de mello breyner andresen]

4.1.07

special surprise




many people will walk in and out of your life, but only true friends will leave footprints in your heart.
to handle yourself, use your head; to handle others, use your heart.
anger is only one letter short of danger.
if someone betrays once, it is his fault;If he betrays you twice, it is your fault.
great minds discuss ideas; average minds discuss events; small minds discuss people.
he who loses money, loses much; he who loses a friend, loses much more; he who loses faith, loses all.
beautiful young people are accidents of nature, but beautiful old people are works of art.
learn from the mistakes of others, you can't live long enough to make them all yourself.
friends, you and me...you brought another friend...and then there were three...we started our group...our circle...there is no beginning or end...
yesterday is history. tomorrow is mystery. today is a gift, that's why they call it present.


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2.1.07

river




"acontece quando menos se espera, acredita..olha eu que estava a pensar que viria do Porto para a Madeira só por uns meses e depois se calhar uma próxima viagem e cá estamos..."

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pois é, já sabia que partilhavas diariamente esta vista maravilhosa com o teu músico preferido! e sorria ao imaginar te sentada a ver o pôr do sol. mas nada como começar o ano com uma notícia dessas, corrijo com um pedido desses :) e o melhor de tudo: aceitares!


*PARABÉNS* *FELICIDADES* *TUDO DE BOM*



31.12.06

she still hasn't learnt how to make wishes properly





"há dias que sabem a encerrar. dias que doem mais que outros, que custam mais que outros, que duram mais que outros. dias em que parece que o dia seguinte é impossível. hoje foi só mais um desses. posso jurar que 2007 vai ser um ano muito bom. se fosse astróloga teria os meus meios para o provar. não sou, pelo que me resta a vaga lembrança de que as minhas mãos só tinham sorrisos e a sensibilidade que me diz que pior que 2006 não é muito fácil! 2007 vai ser um bom ano. tem de ser um bom ano. bem corro o risco disto acinzentar!!! bom ano para todos! que as vossas mãos só marquem sorrisos, que os arranquem de muitas caras este ano, que vejam nascer muitos, que cultivem e que cuidem muitos. mil sorrisos e mil desejos de bom ano!"

vibro com a ideia de novos ciclos de vida. um novo ano, uma nova estação, uma nova casa, um novo penteado, um novo projecto… ainda que nada mude verdadeiramente, a promessa de renovação é do tamanho daquela esperança que torna tudo possível





28.12.06

quoting (5)
























“I wish I knew how to quit you!"




26.12.06

mix ups and magic




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*obrigada!


today



birthdays are for doing all your favourite things (perhaps not at the same time!)

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birthdays are for enjoying yourself! eat until you pop!

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forget about your worriestake a walk in the sunshine... or in the rain

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and be filled with peace from your nose to your toes!
make a wish when you cut your birthday cake

25.12.06

snowflakes and sparkledust




...e este natal q recebeste?

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acho q este ano bati todos os recordes 7, nada mais nada menos que sete, de todos os tamanhos e feitios!



21.12.06

there's only a day to go until




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18.12.06

share and share alike (4)




"todo dia ela faz tudo sempre igual
me sacode as seis horas da manhã
me sorri um sorriso pontual
e me beija com a boca de hortelã"



hoje acordei a cantar esta música, não me saía da cabeça!
diz a minha mãe: esse foi o segundo vinil que o pai me ofereceu quando namoravamos, devia ter vinte e poucos anos, ouvi-o infinitas vezes :)



running, jumping, dancing (action movement set)




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este mês tem sido assim!



how to make a wish





step 1: think about what you are going to wish for

step 2: stand up straight with your nose pointing towards the sun (or a window)

step 3: count to ten (not out loud)

step 4: wiggle your nose

step 5: swish your wand in a large arc above your head. Imagine you are dreaming an invisible rainbow!

step 6: whisper your wish to yourself and maybe one day, your wish just might come true.


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remember not to tell anyone what you've wished for! ...or it won't come true*


17.12.06

enchanted escape...




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...pelos caminhos de Portugal!


11.12.06

one step at a time (step by step)




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10.12.06

quoting (4)



búzio



trouxeram-me um búzio.

dentro dele canta
um mar de mapa.
meu coração enche-se de água
com peixinhos
de sombra e prata.

trouxeram-me um búzio.



[f. garcía lorca]


wishes and hopes (1)




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8.12.06

share and share alike (3)




"Johan Henrik Andresen tinha catorze anos quando decidiu fugir de casa dos pais, em Fohr, uma das ilhas Frísias, na Dinamarca. Porque se zangou com a severidade do pai ou por qualquer outra razão. Como quer que tenha sido, reza a lenda familiar que se alistou como grumete no primeiro barco que viu no porto de Fohr e, vários dias depois, deu consigo numa terra estranha, de gente morena cuja língua não entendia. Era o Porto, em Portugal. Perdido e sem recursos, num país estrangeiro, pôs-se a chorar e foi assim que o encontrou um armador da cidade. Este levou-o para sua casa, onde o fugitivo foi acolhido e tratado como um filho, tanto que cinco anos depois já estava estabelecido por conta própria, vindo a tornar-se um dos mais prósperos empresários da cidade, e casando-se com uma portuense, assim dando origem a um ramo materno da minha família – os Andresen do Porto.
Reza ainda a lenda, quando o seu filho primogénito estava para nascer, Johan Henrik escreveu para casa, pedindo o perdão e a bênção paternas. Respondeu-lhe a mãe, dizendo que o pai nunca mais o queria ver nem ouvir falar dele. No entanto, fazia-lhe um pedido: que o seu filho mais velho fosse baptizado com o nome de Johan Henrik e o filho desse também, e assim sucessivamente, conforme era tradição familiar. Desta forma nasceu o ramo português da família e o primeiro de uma linhagem de Joãos Henriques Andresens, que vai já na quinta geração. Ligaram-se ao negócio do vinho, fundaram um vinho do Porto com o nome da família – o Porto Andresen – e o Boavista Football Club, antes que os seus descendentes tivessem degenerado adeptos do menos aristocrático mas mais compensador Futebol Clube do Porto. Foram comerciantes, vinhateiros, armadores, protestantes, caçadores e nostálgicos. Baptizaram gerações de filhos com nome nórdicos, adaptados ao português – Elsa, Gardina, Olga, Teodora, para as mulheres e Gustavo, Guilherme, Thomaz ou o inevitável João Henrique para os homens.
Quando morreu, sem nunca ter voltado a ver as brumas da sua terra, Johan Henrik deixou, por sua vez, um desejo para se cumprir: que o enterrassem onde pudesse ver o mar. A família enterrou-o em Agramonte e o seu desejo foi cumprido até que o “progresso” lhe veio tapar a vista com as construções modernas do Campo Alegre e da Boavista. Avisado, porém, encarregou o mestre Teixeira Lopes de lhe esculpir uma escultura de um barco naufragado, que ficou colocada sobre a sua pedra tumular, em sinal das suas reminiscências vikings e também como símbolo do impossível regresso a casa. Ao menos assim, quem sabe, terá embarcado para a eternidade, tal como os antigos egípcios acreditavam.
Todavia, a dissidência portuguesa não foi a única em que dispersou a estirpe nórdica. Outros Andresen passaram à Alemanha e chamaram-se Hans Heinrich, outros à América Latina, sob o nome de Juan Enrique e outros emigraram para os Estados Unidos, onde foram os John Henry Andresen. Um dia, realizando um trabalho de pesquisa sobre a colonização portuguesa na Amazónia, na época da borracha, fui à Biblioteca Municipal de Manaus consultar jornais da época. De repente, folheando um jornal da passagem do século, parei diante de uma fotografia de um senhor loiro, de barbas, que me pareceu familiar, sem saber explicar porquê. A fotografia encimava uma notícia necrológica e a legenda a que ela dizia respeito rezava assim: “O Sr. João Henrique Andresen, da Associação de Comerciantes de Manaus e um dos fundadores e beneméritos do Teatro Amazonas”. Então, percebi o que havia de extraordinário naquela fotografia: é que ele era igual a mim, quase traço por traço. Lembrei-me do que tinha lido num livro do Corto Maltese: quando encontramos alguém igual a nós, é sinal de morte. A partir dai, e no pouco tempo que tive para pesquisar, procurei descobrir o que podia sobre aquele personagem. Mas não consegui apurar se era um Andresen emigrado directamente da Dinamarca para a Amazónia ou se era o João Henrique I ou II, meus avós do Porto, que forma ambos armadores da carreira, Porto-Lisboa-Belém-Manaus.
Mas a fotografia, essa não enganava: com duas gerações de intervalo e dois continentes a separar-nos, ele era fisicamente igual a mim. E ali estavam, naquele rosto, o meu avô, a minha mãe, os meus tios. Os memos olhos claros que, não fosse a fotografia a preto e branco, seriam azuis – ou cinzentos ou verdes, conforme a luz que vem do mar – e o mesmo olhar, que é uma marca da família e que tão depressa está preso ao mundo, às conversas e aos outros, como de repente se ausenta, a meio de uma conversa, como quem regressa a casa. A mesma, insondável e incompreensível, nostalgia boreal, essa saudade do norte em pleno sul, esse absurdo desejo de neblina no esplendor da luz – mesmo em Manaus.
Alguns de nós, Andresen, nascemos com veia de contadores de histórias. Eu também cultivo o género – umas vezes por profissão, outras por distracção. A noite passada, tendo de improvisar uma história para adormecer o meu filho mais pequeno, lembrei-me de lhe contar esta. Acrescentei a lenda, com tempestades no Golfo da Biscaia, dramas na Ribeira e romances no Douro. Deliberadamente, para que ele, por sua vez, acrescente outras lendas, mais tarde. Pensando bem, acho que essa é uma das funções da família: que cada geração imortalize as anteriores. Não sendo assim, só nos resta a previsibilidade destes tempos sem antepassados escondidos em porões de navios, pais ausentes que enviam ordens severas sob as quais esconde a fraqueza dos sentimentos e avós que fundam teatros barrocos na Amazónia.

(ao meu tio Gustavo Andresen, o guardião destas coisas)"



mermaid wishes