26.12.06

today



birthdays are for doing all your favourite things (perhaps not at the same time!)

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birthdays are for enjoying yourself! eat until you pop!

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forget about your worriestake a walk in the sunshine... or in the rain

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and be filled with peace from your nose to your toes!
make a wish when you cut your birthday cake

25.12.06

snowflakes and sparkledust




...e este natal q recebeste?

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acho q este ano bati todos os recordes 7, nada mais nada menos que sete, de todos os tamanhos e feitios!



21.12.06

there's only a day to go until




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18.12.06

share and share alike (4)




"todo dia ela faz tudo sempre igual
me sacode as seis horas da manhã
me sorri um sorriso pontual
e me beija com a boca de hortelã"



hoje acordei a cantar esta música, não me saía da cabeça!
diz a minha mãe: esse foi o segundo vinil que o pai me ofereceu quando namoravamos, devia ter vinte e poucos anos, ouvi-o infinitas vezes :)



running, jumping, dancing (action movement set)




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este mês tem sido assim!



how to make a wish





step 1: think about what you are going to wish for

step 2: stand up straight with your nose pointing towards the sun (or a window)

step 3: count to ten (not out loud)

step 4: wiggle your nose

step 5: swish your wand in a large arc above your head. Imagine you are dreaming an invisible rainbow!

step 6: whisper your wish to yourself and maybe one day, your wish just might come true.


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remember not to tell anyone what you've wished for! ...or it won't come true*


17.12.06

enchanted escape...




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...pelos caminhos de Portugal!


11.12.06

one step at a time (step by step)




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10.12.06

quoting (4)



búzio



trouxeram-me um búzio.

dentro dele canta
um mar de mapa.
meu coração enche-se de água
com peixinhos
de sombra e prata.

trouxeram-me um búzio.



[f. garcía lorca]


wishes and hopes (1)




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8.12.06

share and share alike (3)




"Johan Henrik Andresen tinha catorze anos quando decidiu fugir de casa dos pais, em Fohr, uma das ilhas Frísias, na Dinamarca. Porque se zangou com a severidade do pai ou por qualquer outra razão. Como quer que tenha sido, reza a lenda familiar que se alistou como grumete no primeiro barco que viu no porto de Fohr e, vários dias depois, deu consigo numa terra estranha, de gente morena cuja língua não entendia. Era o Porto, em Portugal. Perdido e sem recursos, num país estrangeiro, pôs-se a chorar e foi assim que o encontrou um armador da cidade. Este levou-o para sua casa, onde o fugitivo foi acolhido e tratado como um filho, tanto que cinco anos depois já estava estabelecido por conta própria, vindo a tornar-se um dos mais prósperos empresários da cidade, e casando-se com uma portuense, assim dando origem a um ramo materno da minha família – os Andresen do Porto.
Reza ainda a lenda, quando o seu filho primogénito estava para nascer, Johan Henrik escreveu para casa, pedindo o perdão e a bênção paternas. Respondeu-lhe a mãe, dizendo que o pai nunca mais o queria ver nem ouvir falar dele. No entanto, fazia-lhe um pedido: que o seu filho mais velho fosse baptizado com o nome de Johan Henrik e o filho desse também, e assim sucessivamente, conforme era tradição familiar. Desta forma nasceu o ramo português da família e o primeiro de uma linhagem de Joãos Henriques Andresens, que vai já na quinta geração. Ligaram-se ao negócio do vinho, fundaram um vinho do Porto com o nome da família – o Porto Andresen – e o Boavista Football Club, antes que os seus descendentes tivessem degenerado adeptos do menos aristocrático mas mais compensador Futebol Clube do Porto. Foram comerciantes, vinhateiros, armadores, protestantes, caçadores e nostálgicos. Baptizaram gerações de filhos com nome nórdicos, adaptados ao português – Elsa, Gardina, Olga, Teodora, para as mulheres e Gustavo, Guilherme, Thomaz ou o inevitável João Henrique para os homens.
Quando morreu, sem nunca ter voltado a ver as brumas da sua terra, Johan Henrik deixou, por sua vez, um desejo para se cumprir: que o enterrassem onde pudesse ver o mar. A família enterrou-o em Agramonte e o seu desejo foi cumprido até que o “progresso” lhe veio tapar a vista com as construções modernas do Campo Alegre e da Boavista. Avisado, porém, encarregou o mestre Teixeira Lopes de lhe esculpir uma escultura de um barco naufragado, que ficou colocada sobre a sua pedra tumular, em sinal das suas reminiscências vikings e também como símbolo do impossível regresso a casa. Ao menos assim, quem sabe, terá embarcado para a eternidade, tal como os antigos egípcios acreditavam.
Todavia, a dissidência portuguesa não foi a única em que dispersou a estirpe nórdica. Outros Andresen passaram à Alemanha e chamaram-se Hans Heinrich, outros à América Latina, sob o nome de Juan Enrique e outros emigraram para os Estados Unidos, onde foram os John Henry Andresen. Um dia, realizando um trabalho de pesquisa sobre a colonização portuguesa na Amazónia, na época da borracha, fui à Biblioteca Municipal de Manaus consultar jornais da época. De repente, folheando um jornal da passagem do século, parei diante de uma fotografia de um senhor loiro, de barbas, que me pareceu familiar, sem saber explicar porquê. A fotografia encimava uma notícia necrológica e a legenda a que ela dizia respeito rezava assim: “O Sr. João Henrique Andresen, da Associação de Comerciantes de Manaus e um dos fundadores e beneméritos do Teatro Amazonas”. Então, percebi o que havia de extraordinário naquela fotografia: é que ele era igual a mim, quase traço por traço. Lembrei-me do que tinha lido num livro do Corto Maltese: quando encontramos alguém igual a nós, é sinal de morte. A partir dai, e no pouco tempo que tive para pesquisar, procurei descobrir o que podia sobre aquele personagem. Mas não consegui apurar se era um Andresen emigrado directamente da Dinamarca para a Amazónia ou se era o João Henrique I ou II, meus avós do Porto, que forma ambos armadores da carreira, Porto-Lisboa-Belém-Manaus.
Mas a fotografia, essa não enganava: com duas gerações de intervalo e dois continentes a separar-nos, ele era fisicamente igual a mim. E ali estavam, naquele rosto, o meu avô, a minha mãe, os meus tios. Os memos olhos claros que, não fosse a fotografia a preto e branco, seriam azuis – ou cinzentos ou verdes, conforme a luz que vem do mar – e o mesmo olhar, que é uma marca da família e que tão depressa está preso ao mundo, às conversas e aos outros, como de repente se ausenta, a meio de uma conversa, como quem regressa a casa. A mesma, insondável e incompreensível, nostalgia boreal, essa saudade do norte em pleno sul, esse absurdo desejo de neblina no esplendor da luz – mesmo em Manaus.
Alguns de nós, Andresen, nascemos com veia de contadores de histórias. Eu também cultivo o género – umas vezes por profissão, outras por distracção. A noite passada, tendo de improvisar uma história para adormecer o meu filho mais pequeno, lembrei-me de lhe contar esta. Acrescentei a lenda, com tempestades no Golfo da Biscaia, dramas na Ribeira e romances no Douro. Deliberadamente, para que ele, por sua vez, acrescente outras lendas, mais tarde. Pensando bem, acho que essa é uma das funções da família: que cada geração imortalize as anteriores. Não sendo assim, só nos resta a previsibilidade destes tempos sem antepassados escondidos em porões de navios, pais ausentes que enviam ordens severas sob as quais esconde a fraqueza dos sentimentos e avós que fundam teatros barrocos na Amazónia.

(ao meu tio Gustavo Andresen, o guardião destas coisas)"



5.12.06

question







"e se pudesses o que fazias hoje? agora?"


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"mas e onde? gélidas como os mares do norte ou quentes como os trópicos? "

...fosse onde fosse!





2.12.06

give me a ride




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diz lá que aquela parte do deserto não parece mesmo o Alentejo?
e tu com os teus óculos novos, ah já para não falar que nós tinhamos GPS brasileiro e pão alentejano!

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sim eu sei.
nós não tinhamos o Brad Pitt, mas quem tem o sr Toni tem tudo!
ou não tivesse este, sido casado com a Maria da Fé e formado em germanicas.



on the road




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26.11.06

reach for the top and the sun is gonna shine


gosto:
caminhadas,
conduzir durante a noite,
estradas com árvores dos dois lados,
do cheiro taõ típico,
sentir a chuva lá fora,
adormecer a ouvir o mar revoltado,
acordar e ver a ínsua,
chocolate quente,
chuveiro com pressão,
leituras que me fazem viajar,
de vos ter comigo no meio de tudo isto..



24.11.06

fly high




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23.11.06

quoting (3)




"I have to remind myself that some birds aren't meant to be caged. their feathers are just too bright. and when they fly away, the part of you that knows it was a sin to lock them up does rejoice. still, the place you live in is that much more drab and empty that they're gone. I guess I just miss my friend."

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[morgan freeman]

the one and only..madrid




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20.11.06

it's your birthday :)




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sabes de quem são aquelas pernas?
o que tu te queixavas de tomar banho comigo: "não quero não quero, mas porque é que tem de ser!?"
o tempo voou e hoje fazes 30, precisamente a idade que o pai tinha quando eu nasci!
muitos, muitos PARABÉNS!



17.11.06

spread your wings




a melhor percepção do mundo é-nos dada pelo ritmo dos nossos passos.
ando a pé até não aguentar mais!
tantas praças, monumentos, ruas labirínticas que vão ter a locais bem assinalados no mapa, mas isso não interessa nada, gosto de me perder, de viver a cidade, desta sensação de descoberta, de edifícios bonitos que de outra forma não conheceria, de sentir que não só dominei os pontos principais como os que o acaso me fez conhecer, maravilho-me com a quantidade de pessoas que andam nas ruas ou não estivessemos nós em Espanha e sendo Madrid a capital a energia é bombeada a cada instante.

"entre aquilo que temos diante dos nossos olhos e os pensamentos que nos podem passar pela nossa cabeça , estabelece-se uma relação particular, fazendo, por vezes, com que os grandes pensamentos reclamem grandes vistas, e os pensamentos novos, novos lugares"

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viajo disponível para novos pensamentos.



16.11.06

I'm so close, I'm just a small step behind







and now, the end is near, and so I face, the final curtain.
my friend, I'll say it clear,
I'll state my case, of which I'm certain.
I've lived, a life that's full, I've traveled each and every highway.
and more, much more than this,
I did it my way.


regrets, I've had a few, but then again, too few to mention.
I did, what I had to do, and saw it through, without exemption.
I planned, each charted course, each careful step, along the byway,
and more, much more than this,
I did it my way.

yes, there were times, I'm sure you knew,
when I bit off, more than I could chew.
but through it all, when there was doubt,
I ate it up, and spit it out.
I faced it all, and I stood tall,
and did it my way.


I've loved, I've laughed and cried,
I've had my fill; my share of losing.
and now, as tears subside, I find it all so amusing.
to think, I did all that, and may I say --- not in a shy way,
"oh no, oh no not me,
I did it my way".


for what is a man, what has he got?
if not himself, then he has naught.
to say the things, he truly feels,
and not the words, of one who kneels.
the record shows, I took the blows ---
and did it my way!

I did it my way.


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15.11.06

the bottom line is




fórmula infalível: primeiro vive-se, depois processa-se a vivência

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hear you loud and clear!!!







para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.

es en ti la ilusión de cada día..
llegas como el rocio a las corolas.
socavas el horizonte con tu ausencia.
eternamente en fuga como la ola.

he dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
como ellos eres alta y taciturna.
y entristeces de pronto, como un viaje.

acogedora como un viejo camino.
te pueblan ecos y voces nostálgicas.
yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.


pablo neruda "veinte poemas de amor y una canción desesperada"





10.11.06

christmas gift




estava tão longe da noção de tempo...
trouxeste o natal até a mim com a mesma simplicidade e importância com que a primeira andorinha anuncia a primavera.

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8.11.06

impulse




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"e se do nada lhe perguntarem o que traz vestido?
e se um dia um desconhecido lhe oferecer flores?"



7.11.06

share and share alike (2)





Madre Teresa de Calcutá disse, um dia:
"O que não se dá apodrece!"

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quoting (2)

It never rains but it pours


"naquele inverno eu sentia-me sufocar com a persistência do sol e de um céu invariavelmente azul. dia após dia, de manhã quando acordava e chegava à janela, nem sinais de chuva, vento, céu cinzento, já nem digo neve: enfim, nada que me lembrasse que era inverno. e como pode alguém desejar o verão, se o inverno mais parece um longo e interminável verão?
assim, juntei o sufoco a uma depressão subitamente planeada e resolvi meter férias e ir à procura do inverno, lá nessa europa, de onde a televisão me trazia imagens de inundações e tempestades e nevões. Peguei nos livros mais tristes que tinha pendentes de leitura, numa gabardine e um sobretudo, e embarquei em santa apolónia, ao fim da tarde, no lusitânia-expresso para madrid. reservei um beliche no vagão-cama e um lugar à mesa no segundo turno do jantar. Eu sozinho, num comboio atravessando países de noite, como a personagem de um filme (porque só nos filmes é que a solidão é romântica e natural, na vida real é angustiada...) : eis o que eu chamo viajar.
jantei a inevitável pescada com molho béchamel e vitela estufada com ervilhas, com meia garrafa do inevitável grão-vasco, na companhia do previsível casal de velhotes espanhóis, falando por sussurros, como convinha à minha aptência de mistério. quanto a mim, imginei-me agente secreto ou graham greene do Sul, sob a observação atenta e intrigada dos outros passageiros. como não alcancei ninguém com quem falar, imaginei-me aos segredos com a minha avó - com quem aprendi a andar de comboio e a rezar o "acto da contrição" de cada vez que atravessávamos a periclitante ponte de d.maria, de gaia para o porto.
felizmente, ninguém apareceu para compartilhar o meu vagão-cama e pude adormecer sem as habituais cautelas de um agente secreto nestas circunstâncias. cheguei a madrid de manhã cedo e, depois de um sólido pequeno-almoço, enfiei-me no Prado a ver a exposição de um dos meus pintores-fetiche, que eu tinha como um segredo bem guardado: caspar-david friederich, um romântico alemão, meticuloso, alucinado e luminoso. e, porque nunca o verei vezes que cheguem até que a morte nos separe, gastei ainda meia-hora, entre os encontrões, excursões e raros momentos de trégua, diante do mais fantástico quadro que alguma vez alguém pintou ou pintará: as meninas, do velásquez.
junto à plaza mayor, procurei e descobri um restaurante basco cuja recordação guardava num canto da memória. comi o que eles chamam de "besugo" e que eu chamo de pargo e a que os deuses chamarão milagre. esta, para mim, é a melhor cozinha do mundo e este primeiro dia "na europa" começara esplendorosamente: velásquez, caspar-david friederih, besugo à basca e, a seguir, um partagas lusitano, de uma caixa de 25 que comprei à saída do restaurante e que fumei sentado na mala que carregava comigo desde que saíra do comboio, encostado a um muro da plaza mayor, sob um céu finalmente cinzento e prometendo chuva.
e deu-me um desejo incontrolável de partida e de liberdade. entrei num rent-a-car e aluguei um seat marbella cor de trovoada e mandei-me para nordeste, na autopista para barcelona. livre, libérrimo, com vontade de rir e chorar, dono dos quilometros que percorria, das horas, da tarde que se foi desvanecendo e da noite que me apanhou num restaurante à beira do caminho, lendo o el pais e comendo "chuleta de ternera" com uma san miguel de pressão. fiquei dois dias em barcelona, dos quais uma manhã mergulhado na pesquisa meticulosa de uma extraordinária loja de velharias do bairro gótico, de onde saí com uma ordem de lenine, uma convocatória da legião estrangeira e una fantásticos binóculos dentro de um estojo de couro marcado "SS Bremem, 1912". passei outra manhã a ouvir um cego tocar violino em frente à sagrada amilia do gaudi, enquanto eu me esforçava por acreditar que era o único turista que tinha decifrado o mistério daquela catedral demencial, e também gastei duas noites como o único turista que jantou ao ar livre no port olimpic, comendo sumptuosamente e gelado até aos ossos.
de comboio, outra vez, segui pela côte d'azur parando para jantar e dormir em cannes e depois num pequeno e mágico hotel do laco di como, alternando jornais, línguas, vinhos e conversas de ocasião, com a intimidade e o destemor que só os viajantes solitários ousam.
a chuva chegou quando eu estava no lago- abundante, magnífica, devastadora. de novo me meti no comboio de noite e atravessei a toscânia adormecida, imaginado vinhas ao sol e terraços com vasos de cerâmica e colunas de mármore, florença cor de fogo debruçada sobre o rio, siena sob uma ligeira neblina de poeira suspensa no ar, mas, porque era inverno e finalmente chovia, e um vento de leste, frio e solto incomodava os passageiros petrificados nas estações que atravessávamos sem parar e arrastava guarda-chuvas perdidos e ramos de árvores na noite de itália, fui direito a VENEZA onde, há muitos anos atrás, numa ofuscante manhã de agosto, na praça pejada de turistas, eu jurara a mim mesmo só voltar quando fosse inverno, chovesse e toda a praça estivesse tão limpa como este coração que agora trazia comigo."


[miguel sousa tavares]

5.11.06

black and white (3)




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2.11.06

tears






quantos segredos contamos e guardamos?
quantas aventuras vivemos?
quantos planos arriscados pusemos em prática?
quantas vezes descobrimos o esconderijo das chaves da dispensa para ir aos rebuçados/caramelos?
quantos saltos e corridas a alta velocidade?
quantos banhos na piscina?
  • que tanto eram de dia como de noite
  • que duravam horas e horas
  • até ao derradeiro teste do vuvu quando tínhamos de sair e mostrar as mãos com a pele a virar peixe e os lábios roxos que não permitiam engano
  • nos davam direito a umas quantas corridas à volta da piscina para aquecer
  • as provas para ver quem apanhava mais pastilhas de cloro no fundo da piscina
  • com a lavagem antecedente da piscina e em que vibrávamos com a água a chegar ao terceiro e quarto degrau

quantas subidas ao galinheiro para comer as tão célebres uvas?
quantas noites passadas em vermoim?
quantas vezes terei lá dormido?


lembraste?


e a passagem secreta da cave para as galinhas?as corridas nos campos de milho?jogos sem fronteiras? (e tudo quanto nos pudéssemos lembrar)Casa na árvore com umas quantas tábuas de madeira também não podia faltar os castanheiros lá ao fundo onde ficava o adubo?a vacaria onde vimos porcos pequeninos e vitelos acabados de nascer (acho que ainda sou capaz de sentir o cheiro a leite gordo de tão intenso que era).o palheiro onde construímos muralhas com os fardos?e onde íamos assustar as pombas nos telhados? (as escadas de madeira já podres).a colmeia junto ao local da plantação dos morangos (tapados com aquele plástico preto).e quando descobrimos uma ninhada de descendentes do snoopy?e os leõezinhos? como nos fomos lembrar daquela brincadeira? só podes ter sido tu – qual sportinguista!atirávamos comida às raposas, enfiávamos nos no sítio dos gansos e escalávamos aqueles três andares.Ovos cozidos na Páscoa partidos nas cabeças uns dos outros, tradição que só a nossa família parece ter...até na carrela (carrinho de mão ou sei lá o que era) nos púnhamos lá dentro e era a empurrar por ali abaixo.“o primeiro acordar, acorda o outro” e assim era, cumpríamos.parece que me safei da saga dos puzzles, mas não da dos desenhos animados. não sei se é real, mas tinha a sensação que acordávamos às 6h da manha para os ver e tu gravavas tantos!lembraste da colecção da disney? que tinha o livro e a respectiva cassete áudio? cada volume com a sua cor?sei que num dos quartos (talvez o que havia sido da uta) tinhas uma colecção de cromos do bollycao, já não sei precisar se era aquela do ‘tou’ se a de uns fantasmas (Casper) que brilhava no escuro.Sim, lembro-me do preciso momento em que fugimos e a mesa de mármore da cozinha caiu em cima do teu pé…lembraste quando fomos deixar os cães ao marco com o vuvu?Lembraste do ‘um esconde se e todos procuram’? havia sempre tantos sítios possíveis ‘papinha cerelac’ e ‘rebenta a bolha’.a apanha das batatas no campo em frente.os banhos no tanque, por baixo do palco do teatro.e quando o teu pai numa festa de anos tua, deu a todos aquelas caixas de gorila gigantes!!!


parecia magia


tu ficaste com as de tuti-fruti e nós com menta, duraram uma eternidade.


mas isso era no tempo em que éramos imortais, por isso não tínhamos medo de alturas, de quedas do poly, de arranhões, de joelhos sempre pisados, de frio ou chuva, de jogos de futebol no quinteiro (lá se iam os vasos da vovó), de brincadeiras no consultório ou lá em cima no terraço.podíamos correr por aqueles campos até não puder mais.Nessa altura éramos todos e éramos tantos.era o tempo dos tomates do aroso, das ameixas atrás da piscina, da estufa e seus balneários, das rãs e dos sapos, do manuel peninha, da carlota joaquina e do gonça pilatos, das papas de sarrabulho, dos ovos estrelados naquela frigideira tão típica, da vovó com pintainhos no bolso do avental.…passaram tantos anos e tivemos direito a um banho de realidade...ficou a cumplicidade, a confiança, a amizade e a compreensão (por vezes nem são precisas palavras, basta um olhar ou um sorriso).


quero que saibas que qualquer que seja o caminho tou contigo!



1.11.06

quoting (1)




"...que todas as minhas indecisões... estar dividida entre paris e israel, judeus e palestinianos, são jorge e o dragão... podiam nunca ter fim. o importante é não parar enquanto esperamos para decidir. já não sou rapariguinha nenhuma. tinhas razão naquilo que disseste sobre não entrar em greve outra vez... tenho é de não parar de andar."

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[richard zimler]

mermaid wishes